A Livitah Life Sciences, empresa de biomateriais com sede em Meriden, Connecticut, inicia a produção das primeiras amostras de seu nanobiovidro, uma pasta injetável voltada para acelerar a recuperação óssea em procedimentos ortopédicos e odontológicos. À frente da iniciativa estão os engenheiros brasileiros Marcio Livio Serpa, fundador e especialista em gestão de negócios, e Paulo Ferreira, especialista em gestão de produtos bioativos e doutor pela Unicamp.
A estratégia e a produção internacional Paulo Ferreira assume a condução da fabricação dos lotes iniciais e dos testes laboratoriais, enquanto Marcio Livio Serpa gerencia os negócios, investimentos e a regulamentação da empresa. A planta industrial foi inaugurada em junho com a presença de sócios investidores. Até o momento, o empreendimento já captou cerca de US$ 1 milhão junto a investidores do Brasil e dos Estados Unidos.
A ciência por trás do vidro bioativo O uso de vidro bioativo como substituto de enxerto ósseo é conhecido há décadas na medicina. Em contato com os fluidos corporais, o composto libera íons de cálcio e fósforo, estimulando a formação de hidroxiapatita, o mineral responsável pela rigidez dos ossos. A inovação da startup reside na combinação do controle rigoroso do tamanho e do formato das partículas com a entrega em formato de pasta injetável para uso cirúrgico.
A inovação na escala nanométrica A geometria das esferas regulares em escala nanométrica expõe uma área superficial maior ao organismo, acelerando a dissolução e tornando-a previsível para uma osteointegração eficiente. “Quanto menor e mais regular a partícula, melhor o organismo responde a ela. O que precisamos agora é demonstrar isso em laboratório, com método e repetibilidade, lote após lote”, afirma Ferreira. Segundo ele, o desafio desta fase é reproduzir em escala de fábrica o controle obtido na bancada de pesquisa. “Fazer uma amostra boa é uma coisa. Fazer cem iguais é o que transforma pesquisa em produto”, completa.
O mercado bilionário de enxertos ósseos A escolha por estabelecer a operação nos Estados Unidos é respaldada por dados de mercado. A consultoria Fortune Business Insights aponta que o mercado global de substitutos de enxerto ósseo deve movimentar US$ 4,55 bilhões em 2026, com a América do Norte concentrando 46% das vendas no último ano. Os materiais sintéticos, categoria na qual o vidro bioativo se enquadra, já representam 58% desse mercado.
Parcerias estratégicas e o desafio regulatório Para impulsionar o desenvolvimento, a Livitah contratou a UConn Health, da Universidade de Connecticut, para pesquisas e foi aceita no programa de aceleração da AdvanceCT. O maior desafio atual é a aprovação da FDA, agência reguladora norte-americana, que classifica o produto como dispositivo médico de classe 2, exigindo comprovação rigorosa de segurança e eficácia. A empresa estima investir cerca de US$ 200 mil apenas em consultorias e testes nesta etapa. “Nos Estados Unidos, um produto só chega às mãos do cirurgião depois de passar pela FDA e cada etapa precisa estar documentada desde o primeiro lote. Ter a fábrica, a pesquisa e a universidade no mesmo estado encurta muito esse caminho”, diz Serpa.
Trajetória dos fundadores e próximos passos Ferreira pesquisa vidros bioativos há mais de dez anos, acumulando passagens acadêmicas pela Unicamp e pela University of Florida, além de dezenas de artigos e patentes. Serpa, engenheiro industrial mecânico com MBA pela USP, traz mais de três décadas de experiência na indústria de saúde, incluindo passagens por grandes corporações e atuação em desenvolvimento de implantes. As amostras fabricadas serão fundamentais para alimentar os testes exigidos pela FDA, com foco inicial em ortopedia e odontologia.






