Publicado em 1963, o livro “Viagem em torno de Pelé”, escrito pelo jornalista Mário Filho — que dá nome ao Maracanã —, tornou-se uma obra extremamente disputada por colecionadores ao longo dos anos.
A biografia romanceada de Pelé A chamada biografia romanceada destrincha minuciosamente a infância de Edson Arantes do Nascimento, a ascensão meteórica no Santos e as campanhas vitoriosas nas Copas do Mundo de 1958 e 1962, contando com passagens em que o autor cria conversas fictícias com o jogador.
O primeiro cidadão do mundo Na orelha do livro, a publicação traz uma descrição marcante sobre a grandiosidade do atleta: “Esta é a biografia do primeiro ‘cidadão do mundo’ que o Brasil já produziu. Pelé é o mundo a ser visitado. A ser visto e sentido. Tanto o jogador como o homem — e antes do homem o menino que ele ainda é. Pelé conserva os olhos maravilhados de criança a descobrir o mundo, descobrindo o futebol. Daí a pureza que o ilumina no instante de uma jogada. Antecipa com clareza todas as hipóteses e escolhe a que lhe parece melhor — que às vezes é a de realizar o impossível. E assim se tornou o maior, no reinado mundial do futebol. A coroa de Rei não o perturbou. (…).”
A recepção triunfal em Bauru A obra também detalha o retorno do craque ao Brasil após a conquista mundial na Suécia, feita quando ele tinha apenas dezessete anos, destacando a recepção calorosa organizada em sua cidade natal com a presença de familiares e autoridades locais.
A emoção do retorno para casa Sobre o momento em que reencontra a família, a obra relata os pensamentos do atleta e o diálogo imaginado com a mãe: “(…) Lembrava-se da volta. Sempre sonhara em voltar assim, com banda de música. A banda de música tocara na chegada de outros. Havia, porém, uma diferença. Os músicos eram de Bauru, tinham visto Pelé dar os primeiros chutes. E tocaram para o garoto que regressava coberto de glória. Bauru queria mostrar a Pelé o quanto o queria. Por causa disso a cidade toda foi recebê-lo, com o prefeito à frente. Mas Pelé era só olhos para Dondinho [pai], para dona Celeste [mãe], para vovó Ambrosina, para o tio Jorge, para Zoca e Maria Lúcia. Olhava mais para dona Celeste. Tinha vontade de dizer-lhe:
— Viu, mamãe? Não para se gabar. A mãe querendo que o destino dele fosse outro. Não podia imaginá-lo feito Dondinho, de um lado para o outro, à procura de uma coisa que nunca veio. Dona Celeste sentia-se frágil diante do filho. Aconchegava-se a ele, como se buscasse proteção. Quem diria? O Dico [apelido de Pelé na infância] era um herói nacional. E lá estava o carro para ele. Todo o mundo em Bauru tinha assinado a subscrição, ricos e pobres. O carro estava coberto. Não era grande, mas era um carro. Dondinho disse:
— É seu, Dico. Pelé recusou as chaves. O carro seria de Dondinho. Imaginava o pai guiando o carro, gente apontando para êle:
— É o pai de Pelé. Não, não, ele é que era o filho de Dondinho. Por causa disso repetia que não era nada em comparação com o que fôra Dondinho. (…).”
O presente inusitado sem habilitação Como o atleta só completaria dezoito anos em 23 de outubro de 1958, ele ganhou um carro — uma Romi-Isetta —, mas ainda não possuía carteira de habilitação, fazendo com que o pai, o ex-jogador Dondinho, ficasse encarregado de conduzir o veículo.
Atualmente, quem deseja explorar essa reluzente narrativa literária precisa contar com muita sorte para encontrar um exemplar raríssimo de “Viagem em torno de Pelé” à venda na internet.






