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Justiça determina devolução da capivara Filó ao Ibama e criador promete recorrer

'A gente não vai desistir dessa luta', diz influenciador após Justiça determinar devolução de capivara Filó ao Ibama

O influenciador digital Agenor Bruce Tupinambá anunciou que vai recorrer da decisão da Justiça Federal no Amazonas que determinou a devolução da capivara Filó ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A determinação foi assinada pela juíza Mara Elisa Andrade, da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária, que negou o pedido de guarda definitiva e estabeleceu o prazo de 30 dias para que o animal seja entregue ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) em Manaus.

A reação do influenciador e os argumentos jurídicos

Em publicação nas redes sociais, o criador criticou a medida e confirmou que sua equipe jurídica já foi acionada para reverter o cenário. “A gente não vai desistir dessa luta, mais uma batalha que a gente vai enfrentar e vamos recorrer com todos os meios legais para lutar pela Filó”, disse o influenciador. Além disso, ele questionou a infraestrutura do órgão ambiental: “Querem levar ela para o Cetas, como vocês já sabem como é o Cetas do Amazonas, não tem nem condições de ter uma capivara lá. Vão mandar ela para onde? Para um zoológico, para um santuário?”, questionou.

Por outro lado, a magistrada fundamentou que o vínculo afetivo entre o criador e a capivara não é justificativa suficiente para manter um animal silvestre sob guarda particular sem autorização ambiental. A sentença destacou que a legislação prioriza o retorno dos bichos ao habitat natural, considerando a guarda doméstica apenas como exceção. O entendimento de família multiespécie não foi aplicado ao caso, e Agenor ainda foi condenado a arcar com as custas processuais e honorários advocatícios.

Origem do caso e repercussão nacional

O processo teve início em abril de 2023, período em que o Ibama realizou uma fiscalização na propriedade da família do influenciador situada em Autazes, no interior amazonense. Na ocasião, foram aplicados cinco autos de infração que totalizaram R$ 17.030 em multas, devido à manutenção irregular de fauna silvestre, uso de espécies sem permissão, exploração de imagem e infrações ligadas à morte de um filhote de preguiça-real. Na época, a capivara chegou a ser levada ao Cetas, mas Agenor obteve uma liminar que garantiu a guarda provisória até a nova sentença.

O caso ganhou enorme visibilidade em fevereiro de 2023, quando os vídeos da rotina com o animal viralizaram na internet. A repercussão gerou forte mobilização de seguidores, figuras públicas e políticos em defesa do criador. Em contrapartida, o Ibama reforçou reiteradamente que “animal silvestre não é pet” e apontou a necessidade de reabilitação para que o espécime recupere seus comportamentos naturais, uma vez que a convivência prolongada com humanos pode dificultar a reintegração à natureza.

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