A Fifa apresentou uma proposta para repassar US$ 25 milhões, o equivalente a cerca de R$ 125 milhões, para cada uma de suas 211 associações-membro durante o ciclo que vai de 2027 a 2030. O plano foi revelado ao Conselho da entidade em 15 de outubro de 2026 e adiciona US$ 15 milhões à quantia que havia sido projetada inicialmente para cada federação nacional.
Origem dos recursos e superavit
Os recursos financeiros necessários para essa distribuição sairão das reservas da própria federação internacional. Esse caixa foi fortalecido consideravelmente pelas receitas obtidas com a Copa do Mundo de 2026, torneio que foi disputado pela primeira vez com um formato ampliado de 48 seleções. A estimativa da organização é fechar o ciclo de 2023 a 2026 com um superavit de até US$ 5,6 bilhões, o que representa aproximadamente R$ 28 bilhões, embora essa projeção ainda precise passar por auditoria oficial.
Detalhamento da distribuição financeira
O planejamento orçamentário do programa Fifa Forward 4.0 previa originalmente a quantia de US$ 2,7 bilhões, ou cerca de R$ 13,5 bilhões, para o próximo quadriênio. Com a nova proposta, ocorre um acréscimo de US$ 3,65 bilhões, o que eleva o financiamento global do programa para US$ 6,35 bilhões. Esse montante total é direcionado para confederações, associações nacionais e demais beneficiários do esporte.
Com esse reforço no orçamento, o valor destinado de forma individual a cada associação nacional salta de US$ 10 milhões para US$ 25 milhões. O planejamento também contempla repasses específicos de US$ 99 milhões para cada confederação continental e US$ 8,25 milhões para cada associação regional de futebol.
Além disso, um grupo selecionado de 100 associações-membro terá direito a um repasse extra de US$ 1,1 milhão por federação para cobrir despesas relacionadas a viagens e aquisição de equipamentos. Outros R$ 240 milhões foram reservados para atender a necessidades específicas, com foco prioritário no incentivo ao futebol feminino e no fortalecimento das categorias de base.
Contexto político e eleições
O anúncio da nova proposta ocorre poucos meses depois de a entidade desistir oficialmente de criar uma empresa com capital privado voltada para concentrar os direitos comerciais e esportivos de seus campeonatos. Essa ideia anterior havia gerado forte rejeição por parte de federações e confederações esportivas.
A Uefa e a Concacaf haviam exigido que a organização utilizasse parte de suas reservas financeiras para assegurar pelo menos US$ 10 milhões adicionais a cada associada, exigência que acabou sendo superada pelo novo plano da diretoria. As entidades continentais também cobraram apuração rigorosa sobre a condução da iniciativa comercial cancelada.
Durante a reunião realizada em outubro, o presidente da instituição pediu desculpas pela condução e pela comunicação do projeto que acabou sendo definitivamente descartado. As discussões sobre o orçamento acontecem enquanto o dirigente se articula para a disputa de sua reeleição. O Congresso responsável por definir o próximo presidente da federação internacional está agendado para o dia 18 de março de 2027, na cidade de Rabat, em Marrocos, com encerramento do prazo de inscrições de oponentes em novembro de 2026.
O Conselho da entidade planeja finalizar os detalhes do plano financeiro em dezembro, estabelecendo rigorosos critérios de acesso, liberação, fiscalização e auditoria dos recursos. Na sequência, o texto completo será submetido à votação definitiva no Congresso marcado para o primeiro trimestre de 2027.






