O economista Adolfo Sachsida desponta como o favorito para assumir o Ministério da Fazenda caso Flávio Bolsonaro (PL) conquiste a vitória no segundo turno das eleições, marcado para o domingo 25. Nos bastidores da campanha, o nome do especialista é tratado como a principal aposta para a pasta econômica, enquanto figuras do antigo governo de Jair Bolsonaro (PL) já são sondadas para ocupar diferentes funções ministeriais.
Competição e influência política
A dianteira de Sachsida na corrida pelo cargo se deve à união entre a confiança depositada pela família e sua consistente bagagem técnica. Outros nomes ventilados para a função incluem Roberto Campos Neto, Marcelo Kayath e Alexandre Bettamio, embora aliados avaliem que o ex-presidente terá peso decisivo na definição final. Além da Fazenda, o economista também aparece com prioridade para o Planejamento e Orçamento, além de ter seu nome associado à Infraestrutura e à presidência da Petrobras.
Formação e histórico na administração pública
Nascido em Londrina em 1972, Sachsida possui graduação em Ciências Econômicas e em Direito, além de doutorado em Economia pela UnB e pós-doutorado na Universidade do Alabama, nos Estados Unidos. Servidor de carreira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) desde 1997, ele ganhou projeção nacional ao atuar ao lado de Paulo Guedes como chefe da Secretaria de Política Econômica, de janeiro de 2019 a fevereiro de 2022, período marcado pela aprovação de reformas e pela coautoria do livro “A Política Econômica Brasileira no Período 2019-2022”.
Posteriormente, em maio de 2022, diante da alta pressão sobre os combustíveis, assumiu o comando do Ministério de Minas e Energia no lugar de Bento Albuquerque. Fora da máquina pública, permaneceu atuante no debate macroeconômico ao criticar a nova regra fiscal e defender um modelo ancorado na trajetória da dívida pública em relação ao PIB, em detrimento de limites exclusivos de despesa.
Integração à campanha e diretrizes sociais
Integrado formalmente à equipe econômica da campanha de Flávio em 18 de agosto — inicialmente sob a coordenação de Daniella Marques —, ele hoje comanda o núcleo econômico. Entre as diretrizes anunciadas, Sachsida assegurou que uma eventual gestão pretende preservar o Bolsa Família e o BPC, ao mesmo tempo em que garantiu que “não irá acontecer privatizações no Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras”.
A visão sobre inflação e contas públicas
A formulação programática liderada pelo economista parte do princípio de que o próprio Estado constitui a principal causa da inflação.
“Em 90% dos casos, aumento de preço é culpa do governo”, disse em entrevista a Oeste em setembro, atribuindo o encarecimento de produtos e serviços ao excesso de gasto público e ao retorno de tributos que haviam sido reduzidos ou zerados.
Para fundamentar o diagnóstico sobre as contas públicas, ele contrasta diferentes gestões, apontando que os gastos estatais recuaram de 19,4% do PIB em 2018 para 18% em 2022, destacando que “Bolsonaro foi o primeiro e único presidente desde a redemocratização a terminar o mandato gastando menos do que quando entrou”. Atualmente, com a dívida em patamar superior a 82% do PIB, o reequilíbrio das contas exigiria cerca de um ano e meio.
Os três pilares do plano econômico
A estratégia estruturada por Sachsida apoia-se em três eixos centrais: a consolidação fiscal, considerada a prioridade máxima; a ampliação da produtividade por meio de desburocratização, digitalização de serviços e segurança jurídica; e a inclusão social produtiva, voltada para facilitar a abertura de microempresas. Na avaliação do especialista, o ajuste fiscal deve ser alcançado por meio da contenção de despesas, cortando ministérios e controlando supersalários, e não mediante a criação de novos impostos.






