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Geopolítica: os desafios globais para Lula ou Flávio Bolsonaro

A crise global que Flávio Bolsonaro ou Lula terão de enfrentar se eleitos

O futuro ocupante do Palácio do Planalto assumirá o comando do Brasil em um cenário internacional significativamente mais hostil e imprevisível. Especialistas em relações internacionais alertam que o próximo líder brasileiro enfrentará uma “surrealpolitik”, termo que descreve a falta de coerência e a fragilidade das regulações que hoje regem os acordos entre as nações.

O peso da relação com os Estados Unidos

A postura da Casa Branca, sob a gestão de Donald Trump, é apontada como o principal fator de pressão para o Brasil. O governo americano tem adotado medidas como a elevação de tarifas de importação e uma postura rígida em relação a investimentos chineses na infraestrutura brasileira. Analistas indicam que, independentemente do vencedor, o Brasil precisará realizar um intenso trabalho diplomático para não ser tratado como um rival por Washington.

“Se ele usou alguns instrumentos de coerção com objetivos transacionais políticos, como as tarifas de importação, ele também vai usá-los para acessar terras raras, minerais críticos e para tentar restringir os investimentos chineses na infraestrutura do Brasil”, diz o economista Otaviano Canuto.

O desafio de Janus e a disputa EUA-China

O Brasil se encontra no centro de uma disputa de poder entre as duas maiores potências mundiais. O chamado “desafio de Janus” ilustra a dificuldade brasileira: quando o país sofre pressão americana, busca apoio chinês, o que, por sua vez, atrai mais sanções de Washington.

“Para sair disso, o próximo governo vai ter que criar uma estratégia de negociação trilateral. É o único jeito de não ser capturado pela rivalidade EUA-China”, explica Feliciano de Sá Guimarães, diretor do Cebri.

Instabilidade na América do Sul e na Europa

A política externa terá que lidar com uma América do Sul fragmentada, onde a ascensão de blocos militares como o Escudo das Américas isolou o Brasil. Além disso, a Argentina, importante parceiro comercial, vive um cenário de incertezas eleitorais que impactará diretamente o futuro do Mercosul. O cenário europeu também inspira preocupação, com eleições na França e mudanças de poder na Itália e na Alemanha que podem enfraquecer a União Europeia como um interlocutor estável para Brasília.

“A conjuntura global que o próximo presidente do Brasil vai encontrar, daqui alguns meses, será muito mais complexa do que a de hoje”, afirma Otaviano Canuto.

Em última análise, o próximo presidente precisará adotar uma postura defensiva para blindar a economia nacional das instabilidades externas. A capacidade de negociar minerais críticos e terras raras, seja como commodity ou como ativo estratégico de valor agregado, será um dos pontos cruciais que definirão o sucesso do Brasil no tabuleiro geopolítico dos próximos anos.

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