O deputado estadual Márcio Canella (União Brasil) e o ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim foram presos pela Polícia Federal (PF) durante a oitava fase da Operação Unha e Carne. A ordem de prisão foi emitida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atingindo também quatro inspetores da corporação.
Articulação política e lavagem de dinheiro
Conforme as investigações conduzidas pela PF, o ex-prefeito de Belford Roxo atuava como o “patrono político” e principal articulador de uma rede criminosa especializada na lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. A apuração aponta que o parlamentar servia como a ponte entre o poder público e o núcleo empresarial, além de influenciar diretamente em nomeações estratégicas.
Documentos recolhidos na residência de um policial civil revelaram anotações de repasses financeiros destinados a pessoas codificadas como “Canela”, “JR” e “PR”. Os federais identificaram transferências que somam milhares de reais sem justificativa contratual para o político, que também apresentou milhões em créditos bancários com origens consideradas opacas pela fiscalização.
Indicação de cargos estratégicos e ligações perigosas
A representação enviada ao STF detalha que Canella patrocinou a chegada de Marcus Amim à presidência do Detran-RJ e, posteriormente, à Secretaria de Polícia Civil. Houve inclusive articulação na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) para alterar regras de tempo de carreira exigidas para o posto, facilitando a nomeação do delegado.
A investigação revelou ainda laços do grupo com facções criminosas e milícias. Relatórios apontam tratativas com o Comando Vermelho para a retirada de barricadas em troca de vantagens políticas, além da nomeação de familiares de milicianos para cargos em gabinetes oficiais e na administração municipal.
Histórico recente e próximos passos
Esta não é a primeira vez recente que o político entra na mira das autoridades. Em julho, durante a sexta fase da mesma operação, ele foi detido em flagrante após a localização de um fuzil em seu automóvel, mas acabou solto dias depois por determinação do STF.
Procurada pela imprensa, a defesa de Márcio Canella informou que não vai se pronunciar até ter acesso aos autos. A mesma postura foi adotada pelos representantes legais de Marcus Amim diante das acusações da PF.






