Milhares de professores e estudantes argentinos ocuparam as ruas nesta quinta-feira (15) para protestar contra a gestão de Javier Milei, em um ato que culminou em choque com as forças de segurança em Buenos Aires. O protesto central ocorreu na praça localizada em frente ao Congresso argentino, onde o lançamento de pedras por parte de manifestantes foi respondido com o uso de gás lacrimogêneo pela polícia.
Reivindicações por verbas e salários O grupo exige a implementação de uma legislação que garante a atualização do orçamento das instituições públicas de ensino superior, além do reajuste de bolsas estudantis e a recuperação das perdas salariais da categoria docente. A mobilização foi precedida por paralisações e sentadas nos campi, além de determinações da Justiça que obrigam o Executivo a cumprir a norma.
Durante a marcha, que contou com a presença de sindicatos, partidos de oposição, movimentos sociais e aposentados, bandeiras exibiam frases como “Milei, cumpra a lei” e “A universidade pública é um direito, não um privilégio”.
“Estamos exigindo que nos paguem o que nos deben”, disse à AFP Francisca Staiti, secretária-geral do sindicato de professores Conadu Histórica.
A dirigente sindical destacou que a falta de repasses força docentes a buscar múltiplos empregos ou a deixar as salas de aula. Dados de um levantamento do Centro de Pesquisa em Economia Nacional da Universidade de Buenos Aires indicam que os repasses reais para o setor encolheram 40,5% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período de 2023.
Imbróglio jurídico e político A Lei de Financiamento Universitário recebeu aprovação do Congresso em agosto de 2025 e sofreu veto do presidente, mas o Parlamento derrubou a decisão em outubro. Apesar da derrubada, a gestão federal não executou o repasse, motivando decisões judiciais favoráveis às instituições, incluindo uma determinação da Suprema Corte em junho.
Em contrapartida, o porta-voz presidencial, Adrián Ravier, declarou na terça-feira que “não é verdade que essa lei não esteja sendo cumprida”. A defesa do governo aponta que a execução está suspensa devido a recursos judiciais e que a proposta carece de indicação sobre a origem dos recursos necessários.
Histórico de atritos Esta edição marca a quinta marcha federal universitária desde a posse de Milei em dezembro de 2023. Embora o governo aponte reajustes pontuais no orçamento das instituições, a comunidade acadêmica classifica os montantes como insuficientes para a manutenção das atividades.
Além da pauta educacional, os organizadores do ato aproveitaram a mobilização para exigir a anulação de um megadecreto assinado pelo presidente que, entre outros pontos, flexibiliza a comercialização de terras rurais para estrangeiros.






