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Care plus e dr.consulta apostam em saúde fora do hospital

Care Plus e Dr.consulta reforçam aposta em saúde fora do hospital

O mercado de saúde suplementar brasileiro passa por uma transformação estratégica com foco em modelos de atendimento que fogem dos tradicionais grandes centros hospitalares. A Care Plus, operadora pertencente ao grupo britânico Bupa, adquiriu uma fatia acionária da Beep Saúde, focada em imunização, testes de laboratório e infusões domiciliares. O valor do negócio e o percentual negociado não foram tornados públicos.

Novos investimentos e expansão digital

O movimento ocorre logo após o Dr.consulta assegurar um aporte de US$ 30 milhões — aproximadamente R$ 155 milhões — concedido pela International Finance Corporation (IFC), braço de investimentos ligado ao Grupo Banco Mundial. Para Márcio Oliveira, especialista em desenvolvimento de novos negócios na área da saúde, os recentes eventos sinalizam a direção dos investimentos no setor, privilegiando plataformas digitais, unidades compactas e o atendimento na residência do cliente.

A Beep, avaliada em R$ 1,2 bilhão durante captação de R$ 100 milhões realizada em 2024, já mantinha laços com a nova sócia. Criada pelo médico Vander Corteze, a empresa presta serviços laboratoriais em domicílio para os segurados da Care Plus desde o ano de 2020. Dessa forma, a aliança comercial de longa data evoluiu para uma sociedade formal.

Planos de crescimento e redes descentralizadas

Por sua vez, o Dr.consulta planeja direcionar os recursos financeiros para dois objetivos principais: a inauguração de novas clínicas e centros voltados a diagnósticos, além do aprimoramento tecnológico da rede. Atualmente contando com 33 filiais divididas entre São Paulo e o Rio de Janeiro, a marca projeta expandir sua atuação para até dez estados, mirando a marca de 10 milhões de clientes até o ano de 2030.

Essas transformações ocorrem em um cenário que ultrapassa 53 milhões de vínculos em planos de assistência médica e hospitalar, conforme dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Contudo, o desafio central não reside apenas na magnitude da procura, mas na viabilidade de atender esse público sem inflar custos por meio de estruturas complexas e onerosas.

Descentralização e eficiência operacional

Segundo Márcio Oliveira, o conceito de expansão na saúde, antes atrelado à abertura constante de hospitais, passa por uma revisão profunda. Na visão do especialista, o mercado avalia criteriosamente onde cada procedimento deve ser executado. “Uma coleta de exame, uma consulta de baixa complexidade ou determinados acompanhamentos não necessariamente precisam ocupar uma estrutura hospitalar”, diz.

Essa reconfiguração, contudo, não diminui a relevância dos hospitais. Pelo contrário, permite que essas grandes instituições concentrem equipes, recursos e infraestrutura nos procedimentos de maior complexidade, aqueles em que sua presença é insubstituível.

Apesar das vantagens, o modelo descentralizado traz desafios logísticos e operacionais. A fragmentação entre consultas presenciais, exames terceirizados, retornos remotos e medicações aplicadas em casa exige sistemas integrados e histórico clínico unificado para que o paciente não sinta os efeitos negativos da pulverização dos serviços.

Para Oliveira, pulverizar o atendimento não basta. “Se cada serviço funcionar isoladamente, você transfere a complexidade da instituição para o paciente”, afirma. Ele defende que a eficiência só ocorre com integração plena, o que justifica a forte presença da tecnologia nas estratégias de expansão de marcas como o Dr.consulta.

O especialista conclui que o sucesso financeiro e assistencial do setor dependerá da habilidade de atender volumes maiores de pessoas sem multiplicar estruturas de alto custo. “O grande ativo deixa de ser apenas o espaço físico. Passa a ser a capacidade de coordenar o cuidado”, avalia. Dessa forma, enquanto emergências e cirurgias complexas continuam nos hospitais, a nova fronteira da saúde passa a ser o ecossistema que antecede a internação.

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