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Antonia Pellegrino acusa PL de violência de gênero após citação em ação

Pellegrino critica forma como PL a citou em ação: “É violência de gênero”

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, acusou nesta quinta-feira (15.out.2026) o Partido Liberal (PL) de cometer violência política de gênero. A acusação ocorreu após a inclusão de seu nome em uma notícia-crime protocolada pela legenda para investigar uma falha de áudio na propaganda eleitoral do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a gestora, o documento expõe suas relações pessoais de forma desnecessária, embora a própria sigla admita no texto que a estatal e seus dirigentes não têm responsabilidade sobre o incidente.

Repercussão e críticas nas redes sociais

Em publicação feita em seu perfil na rede social X, a dirigente detalhou sua revolta com o teor do documento jurídico e com a cobertura da imprensa.
“Agora virou até notícia-crime. O PL diz, no próprio documento, que não acusa a EBC nem ninguém. Mesmo assim, me cita como ‘mulher de’ e ‘amiga de’. Isso tem nome e tem lei: violência política de gênero”, escreveu.

No mesmo vídeo, Antonia destacou reportagens e postagens de formadores de opinião que anularam sua identidade profissional para reduzi-la ao casamento com Marcelo Freixo (PT), presidente da Embratur, ou à proximidade com figuras políticas. “Eu sou filiada ao PT. Então, se o problema fosse partidário, bastava dizer petista. Mas preferiram escrever ‘mulher de’”, declarou.

A presidente da estatal também exibiu publicações de veículos de imprensa e comentários de analistas políticos que utilizaram termos depreciativos e focaram em sua vida conjugal. “Eu vivo uma vida de homem, você sabe. Mudei de cidade, presido uma empresa pública. Mas, na boca desses homens, jornalistas, formadores de opinião, eu continuo sendo apenas a mulher de alguém”, afirmou.

Além disso, ela relatou ataques virtuais que sofreu após rebater informações falsas que vinculavam a EBC ao erro técnico na transmissão. “Quando eu desmenti, me mandaram provar. Só que quem acusa é que tem que provar. E ainda me chamaram de piranha”, disse, ao expor uma ofensa recebida por uma página de apoio a Flávio Bolsonaro. “Um homem perde 3 minutos de som e vira um escândalo nacional. Uma mulher perde o próprio nome na manchete, vira vilã, vira piranha, e isso é só rotina”, completou. Diante disso, ela garantiu que notificou os responsáveis por postagens inverídicas e buscará reparação judicial caso os conteúdos permaneçam no ar. “Notificamos quem publicou informação mentira. E quem não apagar vai responder na Justiça”, declarou.

Entenda o caso da falha técnica

O problema na exibição do programa eleitoral de Flávio Bolsonaro ocorreu na segunda-feira (12.out.2026), quando a inserção foi veiculada inteiramente sem som. A situação gerou suspeitas iniciais da campanha sobre uma possível censura ou ação proposital. Embora o SBT tenha culpado inicialmente a EBC, a emissora privada voltou atrás e se desculpou, enquanto a estatal negou qualquer envolvimento na falha.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclareceu que o equívoco aconteceu durante a fase de finalização e distribuição dos arquivos pelo Pool de Mídias. Conforme o órgão, a ausência de carregamento correto afetou tanto os registros de Flávio Bolsonaro quanto os do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como o problema foi detectado durante a exibição do candidato do PL, a equipe técnica conseguiu consertar o arquivo antes que o programa petista fosse ao ar. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou a reexecução integral do programa prejudicado na quarta-feira (14.out), com custos arcados pelas emissoras.

O conteúdo da notícia-crime do PL

Mesmo com os esclarecimentos da Justiça Eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro acionou a 1ª Zona Eleitoral de Brasília para exigir investigações a fundo. A defesa apontou o caráter inédito do episódio e questionou a agilidade na correção do programa de Lula. No documento jurídico, os advogados citam nominalmente Antonia Pellegrino, destacando seu casamento com Marcelo Freixo e sua amizade com a primeira-dama Janja da Silva, associando tais ligações à difusão de boatos políticos recentes.

“A EBC é presidida, desde 10.04.26, por Antonia Pellegrino, esposa de Marcelo Freixo, ex-presidente da Embratur, nomeada, segundo a imprensa, a pedido da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, de quem é amiga pessoal12, isto é, a mesma primeira-dama que, em 28.09.26, difundiu em palanque a fake news da Padroeira”, pontua o trecho citado pela defesa. O pedido judicial requer a preservação de mídias e novas diligências probatórias, enquanto a EBC reitera que a responsabilidade operacional da transmissão pertencia a terceiros.

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