O Senado Federal aprovou em votação histórica a proposta de emenda à Constituição que extingue a tradicional escala 6×1, entregando um importante trunfo político ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reta final da disputa eleitoral. O texto prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho semanal de 44 para 40 horas, assegura dois dias consecutivos de descanso remunerado e proíbe qualquer tipo de corte nos salários dos trabalhadores. Com o aval dos parlamentares, a matéria agora aguarda os trâmites para ser promulgada pelo Congresso Nacional.
Impacto político e pressão nas ruas
Apesar da vitória legislativa, articuladores políticos ligados ao governo ponderam que a conquista isolada não assegura dividendos eleitorais expressivos. Para o grupo governista, a bandeira precisa continuar ativa nas manifestações populares para surtir o efeito desejado entre o eleitorado.
Logo após a votação no plenário, congressistas aliados celebraram o desfecho, mas fizeram questão de ressaltar a necessidade de manter o engajamento popular.
“Essa decisão é histórica, vira um trunfo importante para o Lula, mas terá um efeito significativo se essa bandeira for comemorada nas mobilizações de ruas”, disse o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
O parlamentar demonstração otimismo quanto ao crescimento dos atos públicos e confirmou que a coordenação da campanha em Minas Gerais já ativou bases locais para intensificar a articulação nesta fase decisiva.
“Definimos metas para lideranças sociais, aquelas que têm capacidade de reunir pessoas nas cidades, para que aumentem a votação do Lula neste segundo turno”, acrescentou o deputado.
Posicionamento da oposição e voto remoto
Enquanto a base governista celebrava, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, participou da deliberação de forma remota, registrando seu voto favorável à extinção do modelo 6×1 a partir de Porto Alegre, onde cumpria agenda de campanha. O senador havia ficado de fora das cinco sessões anteriores dedicadas à discussão da matéria.
Nos bastidores, correligionários admitiram que a adesão à pauta foi um movimento inevitável para evitar desgaste político perante o eleitorado nos dias que antecedem o pleito.
Compensações para o setor empresarial
Apesar de endossar a mudança aprovada pelo parlamento, representantes da oposição já articulam mecanismos para atenuar o impacto financeiro sobre o setor produtivo caso vençam a disputa presidencial.
“Não temos intenção de voltar atrás com a medida, o fim da escala 6 x 1 está decidido, mas vamos aprovar medidas para compensar as empresas pelos aumentos de custos e permitir negociações entre empresários e trabalhadores para permitir flexibilizações para algumas categorias”, afirmou o líder do PL no Senado, senador Carlos Portinho (RJ).






