O ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) foi preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira (15). Ele havia sido o segundo candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nas eleições de 2026, acumulando 197.178 votos.
Operação Unha e Carne mira lavagem bilionária A prisão ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, que apura uma organização criminosa armada suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis para ocultação de recursos. Segundo as autoridades federais, o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo de seis anos.
A ação também resultou na prisão de Marcus Amim, ex-secretário de Polícia Civil do Rio de Janeiro, além de quatro inspetores da corporação. No total, a Justiça determinou seis mandados de prisão preventiva, 16 de buscas e o sequestro de bens e valores, incluindo a suspensão das atividades econômicas de 112 empresas, sendo 96 postos de combustíveis.
Os suspeitos poderão responder por organização criminosa armada, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, venda ilegal de combustíveis e formação de cartel. A investida faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal no âmbito da ADPF 635 do STF.
Trajetória na Baixada Fluminense e alianças Márcio Correia de Oliveira iniciou sua trajetória nas urnas em 2012, quando se elegeu vereador de Belford Roxo. Dois anos depois, garantiu o primeiro mandato como deputado estadual. Em 2016, venceu como vice-prefeito na chapa de Waguinho, rompendo com o aliado posteriormente. Após novos mandatos na Alerj em 2018 e 2022 — ano em que foi o parlamentar mais votado —, ele conquistou a prefeitura municipal em 2024.
Canella renunciou ao cargo executivo em abril de 2026 visando uma vaga no Senado Federal, com apoio do grupo de Flávio Bolsonaro (PL) e articulações que envolviam Rogéria Bolsonaro. No entanto, após problemas judiciais, optou por retornar à disputa estadual. O reduto de Belford Roxo concentrou 68% de sua votação recente, somando 133.956 dos votos obtidos.
Antecedentes e acusações de milícia Esta não foi a primeira detenção do político em 2026. Em 7 de julho, durante a sexta fase da mesma operação, ele foi preso em flagrante após policiais encontrarem um fuzil calibre 5,56 no veículo em que estava. Dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, concedeu a soltura mediante o uso de tornozeleira eletrônica e outras cautelares.
Além disso, em setembro, a Procuradoria Regional Eleitoral pediu a impugnação de sua candidatura sob a acusação de vínculos com paramilitares na Baixada Fluminense, citando nomeações de pessoas ligadas a milícias para a administração municipal. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), contudo, manteve o registro do candidato por maioria de votos.






