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Temporal inunda túnel do Anhangabaú e repete pesadelo de 1999

Anhangabaú teve enchente em 1999, quando 160 veículos ficaram submersos; protocolo da CET prevê bloqueio preventivo do túnel

A tempestade que atingiu a capital paulista transformou o túnel do Vale do Anhangabaú, na região central, em uma armadilha para motoristas e passageiros, repetindo cenas dramáticas registradas há mais de duas décadas.

Tragédia histórica e cenário atual O temporal deixou 26 carros e dois ônibus submersos, com imagens impressionantes de veículos boiando, batidos e sobrepostos, além de pessoas tentando escapar da inundação. O episódio lembrou imediatamente a enchente de 1 de março de 1999, quando cerca de 160 veículos ficaram debaixo d’água após dias de pancadas de chuva, atingindo o teto da passagem de aproximadamente cinco metros de altura.

Falhas apontadas na prevenção Apesar de um protocolo da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) prever o bloqueio preventivo da via com base em alertas meteorológicos, a pista sentido Zona Norte não foi fechada a tempo. O Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE) havia colocado toda a cidade em estado de atenção às 15h25 devido à previsão de ventania e raios.

O motorista de aplicativo Maury Lucas relatou que o trânsito parou minutos antes da enxurrada invadir o local e criticou a atuação dos agentes de trânsito presentes.

“Quando começou tudo, em vez dos caras [agentes da CET] descerem e começarem a organizar para todo mundo conseguir voltar em segurança, ele simplesmente abandonou o carro deles lá, e saiu do túnel”, disse.

Para o condutor, a corporação deveria ter impedido o acesso de novos veículos.

“Mesmo assim, eles não fecharam [o túnel]. Como eles já sabem que o túnel tem essa probabilidade de alagar, o que eles tinham que fazer? Fechar a avenida e acessar algum desvio para não acontecer isso que aconteceu.”

Ele também destacou o prejuízo financeiro enfrentado por quem utilizava a via: “Aqui dentro tinham muitos trabalhadores, muitas pessoas que não tinham seguro no carro. E você vê a situação dos carros, está um pior que o outro.”

Resposta da prefeitura e falhas no sistema A administração municipal esclareceu que o túnel dispõe de seis bombas de drenagem operando 24 horas por dia, mas o volume de água superou a capacidade de escoamento. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) utilizou as redes sociais para informar que equipes municipais atuavam no local, resultando na liberação de uma faixa da esquerda no início da noite.

Historicamente, o Vale do Anhangabaú tem sido alvo de intervenções de macrodrenagem e requalificações urbanas desde a década de 1980, passando por expansões de galerias e novas propostas de drenagem anunciadas recentemente, embora o problema estrutural de alagamentos siga desafiando a gestão da metrópole.

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