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Governo articula manobra no senado para apressar fim da escala 6×1

Governo Lula tenta driblar prazos para votar fim da 6 X 1

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está empenhado em coletar assinaturas de senadores para viabilizar um requerimento que acelere a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala 6×1. A líder governista, senadora Teresa Leitão (PT-PE), planeja protocolar o documento entre terça-feira (13.out.2026) e quarta-feira (14.out).

Estratégia para abreviar prazos

A gestão federal busca votar a medida em dois turnos já nesta quarta-feira (14.out). Para alcançar esse objetivo, a articulação política envolve a aprovação de um calendário especial capaz de dispensar as três sessões de discussão obrigatórias que normalmente ocorrem entre o primeiro e o segundo turno.

Caso o requerimento não seja aprovado, a votação do primeiro turno ainda poderá ocorrer na quarta-feira (14.out). Contudo, seguindo o rito tradicional, o segundo turno exigiria novos debates e um intervalo de cinco dias úteis, empurrando o desfecho para a reta final de outubro.

Meta de apoios e o posicionamento da liderança

Para que o rito seja abreviado, o Palácio do Planalto fixou a meta de reunir 54 assinaturas e protocolar o pedido. O líder do PT no Senado, Camilo Santana, afirmou neste domingo (11.out), durante conversa com jornalistas no QG da campanha de Lula, no Lago Sul, em Brasília, que o governo cumprirá o calendário de discussões.

“Não tenho dúvida de que nós vamos cumprir o rito da sessão de terça-feira, que será a quarta sessão, e na quinta já vamos votar”, declarou.

Camilo explicou que o texto do calendário especial será apresentado na próxima semana. O senador também ressaltou que a definição da pauta não cabe ao Executivo.

“Claro que isso não cabe a mim, cabe ao presidente do Senado”, afirmou, em referência a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

O parlamentar acrescentou que “os votos são dos senadores” e que não tem “dúvida de que nós vamos aprovar” a PEC, destacando a relevância de assegurar dois dias de descanso aos trabalhadores. O presidente do Senado indicou na quinta-feira (8.out) que poderia aceitar um quantitativo menor de rubricas para viabilizar o pedido.

Pressão política e convocação popular

A extinção da jornada de seis dias de trabalho por um de folga funciona como uma das principais bandeiras da campanha de reeleição de Lula, ganhando força como aposta estratégica antes do segundo turno. Durante ato na avenida Paulista neste domingo (11.out), o chefe do Executivo instou a sociedade a monitorar os parlamentares.

“É importante a gente acompanhar, fiscalizar, porque a gente vai ver quem tem compromisso com o povo brasileiro e quem não tem. Quem tem compromisso com a qualidade de vida do povo e quem não tem”, declarou.

Enquanto isso, a oposição, liderada por Rogério Marinho (PL-RN) — coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) —, tem exigido o cumprimento integral dos prazos regimentais. O grupo oposicionista avaliou a possibilidade de boicotar a sessão prevista para quinta-feira (15.out) ou adotar a abstenção, orientação repassada aos aliados pela campanha de Flávio Bolsonaro.

Apesar da resistência, existe o cálculo político de que rejeitar ou obstruir uma medida de apelo popular tão forte pode trazer desgaste eleitoral.

“Gostaria de deixar muito claro que há uma tentativa do Flávio Bolsonaro e das senadoras ligadas a ele de não votar a escala 6 X 1”, afirmou Camilo Santana neste domingo (11.out).

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