Como resposta direta aos entraves comerciais enfrentados em parceiros históricos, a pecuária brasileira garantiu o acesso a 38 novos mercados para a carne bovina e seus derivados entre 2023 e outubro de 2026. O avanço contempla o cumprimento de protocolos sanitários e comerciais para a autorização de 25 categorias distintas de itens em 31 países.
Diversificação para driblar barreiras na Ásia e Europa
A ampliação dos destinos atua como um mecanismo de defesa contra restrições recentes. Na China, as exportações de carne bovina passaram a ser sobretaxadas em 67% no início de outubro de 2026, após o esgotamento da cota tarifária anual. Paralelamente, a União Europeia suspendeu as importações de carnes do Brasil em setembro do mesmo ano, alegando falta de garantias suficientes sobre o controle de antimicrobianos no rebanho nacional.
Apesar do cenário adverso, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, declarou estar “otimista” quanto aos diálogos com o governo chinês. O país asiático recentemente habilitou quatro frigoríficos nacionais — dois de carne bovina e dois de aves — e liberou a compra de miúdos suínos. Em relação ao bloco europeu, as tratativas avançam para reabrir as vendas de carne de frango e mel, enquanto a carne bovina ainda exige negociações mais complexas sobre critérios de rastreabilidade animal.
Ásia e Américas lideram expansão
A distribuição geográfica das novas autorizações mostra forte concentração no continente asiático, responsável por 16 aberturas, incluindo nações de peso populacional como Japão, Filipinas, Vietnã, Malásia e Indonésia. O continente americano aparece logo atrás, com 11 acessos consolidados em mercados como México, Chile, Cuba, El Salvador e Guatemala.
O ritmo de concessões atingiu seu ápice em 2025, ano em que 19 mercados foram abertos para a proteína bovina. Em 2026, foram 9 autorizações até outubro, somando-se às 7 registradas em 2023 e 3 em 2024.
Agropecuária alcança marca de 700 autorizações
O resultado da carne bovina integra um esforço mais amplo de inserção comercial do agronegócio. Em evento com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro André de Paula, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a marca de 700 mercados abertos para produtos agropecuários desde 2023, superando os 241 registrados no mandato de Jair Bolsonaro (2019-2022).
O montante acumulado contempla 405 variedades de produtos distribuídos por 99 países ou territórios. O ano de 2025 registrou o maior volume global, com 225 acessos, seguido por 2024 (222), 2026 até outubro (175) e 2023 (78).
Entre os segmentos do agro com maior projeção externa está o material genético de bovinos e bubalinos, que liderou a lista com 48 mercados conquistados no período. A exportação de sêmen e embriões atende à demanda internacional por técnicas de reprodução assistida voltadas ao aprimoramento genético de rebanhos.






