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Ministro demonstra otimismo com a China após nova tarifa sobre carne

Ministro diz estar “otimista” com China apesar de tarifa sobre carne

O titular da Pasta da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), declarou nesta 3ª feira (13.out.2026) manter uma perspectiva favorável sobre os acordos comerciais entre o Brasil e a China, a despeito das recentes barreiras adotadas por Pequim contra a proteína animal nacional. A nação asiática implementou uma sobretaxa de 55% sobre o item no dia 1º de outubro, após o esgotamento do teto anual de vendas externas estipulado para o período.

Avanços nas negociações bilaterais Em conversa com repórteres na capital federal, o ministro apontou a liberação de 4 plantas frigoríficas do Brasil para atender ao mercado chinês e a entrada de miúdos suínos como progressos recentes. Indagado acerca de uma possível revisão ou aumento no volume da cota de carne bovina, o representante da pasta não assegurou a existência de conversas voltadas a alterar o teto vigente.

“Eu estou otimista porque as relações que nós temos mantido com a China têm sido sempre muito positivas e têm representado avanços importantes para o nosso agro”, declarou.

Auditorias e novas plantas Conforme o ministro da Agricultura, uma comitiva oficial da China concluiu há pouco tempo uma vistoria em 17 estabelecimentos frigoríficos situados em 6 unidades federativas do território nacional. O processo de fiscalização estendeu-se por 7 dias, gerando expectativas na pasta de que mais plantas industriais recebam o aval para comercializar com o mercado chinês.

Expectativa com miúdos bovinos O chefe da pasta também ressaltou tratativas em andamento para viabilizar a exportação de miúdos de boi, na sequência da abertura dada aos miúdos suínos vermelhos, que abrangem vísceras e órgãos dos animais. Tais mercadorias possuem cotação reduzida no mercado interno brasileiro, mas encontram forte demanda e valorização junto ao público consumidor da China.

“Temos muita esperança […] de que a gente possa rapidamente ter notícias positivas também em relação a isso”, afirmou.

Impacto das salvaguardas chinesas A cobrança extra de 55% sobre a carne bovina do Brasil teve início em 1º de outubro de 2026, logo após o país alcançar a marca limite de 1,106 milhão de toneladas fixada para o ano. O tributo extra aglutina-se à taxa padrão de 12%, elevando a carga tributária total a 67% sobre as cargas que excederem o volume permitido.

A determinação faz parte de um mecanismo de salvaguardas comerciais estabelecido pelo governo chinês com o propósito de blindar os criadores nacionais. Os gravames afetam múltiplos exportadores globais — indo além do caso brasileiro — e devem permanecer ativos até o ano de 2028.

Retração nos embarques Sendo o principal comprador da carne de boi produzida no Brasil, a China representou aproximadamente 48% de toda a quantidade despachada pelo país no decorrer de 2025, conforme registros do segmento produtivo.

Os reflexos negativos das barreiras já aparecem nos números de comércio exterior. Dados da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) apontam que as vendas direcionadas aos chineses atingiram 12.900 toneladas no mês de setembro de 2026, o que representa um recuo expressivo de 93,2% em comparação ao mesmo período de 2025.

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