A situação financeira do país, com foco particular nos gastos públicos, na dívida e nas taxas de juros, tornou-se a principal apreensão dos brasileiros que encaram com receio o início da nova gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com um levantamento divulgado pela Quaest, 48% da população demonstra mais preocupação do que esperança com os próximos anos, sendo que 27% desse grupo específico destacam a economia como o fator primordial de angústia.
Em contrapartida, o levantamento aponta que os cidadãos otimistas representam 44% dos entrevistados, ao passo que 8% não souberam se posicionar. O cenário sofreu alterações em relação a dezembro de 2022, período imediatamente posterior ao pleito anterior, quando o índice de apreensão alcançava 54% e o otimismo detinha 41% da preferência.
Segurança pública e instabilidade política no radar A segurança pública ocupa a segunda posição no ranking de inquietações, concentrando 17% das citações ao abranger o temor relacionado à violência, atuação de facções criminosas, milícias e o tráfico de drogas. Na sequência, questões ligadas à corrupção e a escândalos registram empate técnico com a governabilidade e a articulação junto ao Parlamento, ambas somando 12%. Outros setores como educação, com 8%, saúde, com 7%, meio ambiente, com 5% e relações exteriores, fechando com 3%, completam a relação de preocupações.
O impacto da renda e o perfil do eleitorado O peso atribuído à economia é homogêneo entre gêneros, alcançando 27 tanto entre homens quanto entre mulheres. No entanto, a renda familiar altera significativamente a percepção: entre os cidadãos preocupados que recebem acima de cinco salários mínimos, o tema atinge 30%, enquanto na faixa de até dois salários mínimos recua para 20%. Neste último estrato social, a economia empata com a violência, e a relação do Executivo com o Legislativo chega a 16%, contrastando com os 7% registrados entre os mais ricos.
A polarização política também molda as apreensões. Entre o eleitorado de direita que não se declara simpatizante de Jair Bolsonaro, 44% dos preocupados mencionam a economia. Já entre aqueles que se identificam com o ex-presidente, a corrupção lidera com 25%, grupo que também concentra o maior pessimismo, com 89% demonstrando apreensão quanto aos rumos do país.
Expectativas para o Congresso e aprovação do governo O pessimismo também se estende ao campo institucional, onde a maioria antecipa um relacionamento mais conflituoso entre o Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Para 70% dos consultados, o chefe do Executivo enfrentará embates maiores com os parlamentares do que no último ano da administração vigente, enquanto apenas 18% esperam um arrefecimento nos atritos. Em 2022, a expectativa de conflito era de 48%. Em relação ao Supremo Tribunal Federal, 46% preveem acirramento das tensões e 35% acreditam em harmonia.
No que diz o respeito à avaliação da administração federal, a taxa de aprovação ao desempenho de Lula marca 48%, enquanto a desaprovação fica em 44%. O saldo positivo de quatro pontos representa a menor margem registrada entre presidentes reeleitos na primeira sondagem após a vitória, ficando atrás dos índices históricos de mandatos anteriores de gestões passadas.
Metodologia e prioridades apontadas pela sociedade O estudo da Quaest ouviu presencialmente 2.004 eleitores em seus domicíliosa entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, mantendo uma margem de erro estimada em 2 pontos percentuais para mais ou para menos, sob um nível de confiança estatística de 95%.
Entre os entrevistados que expressaram otimismo, o motivo mais recorrente foi a defesa da democracia e o combate ao bolsonarismo, citado por 20%. Os programas de transferência de renda e a mitigação das desigualdades apareceram na sequência com 17%, seguidos pela regulamentação das apostas esportivas e das plataformas digitais, com 16%. Já no tocante às promessas de campanha prioritárias para o novo mandato, o fim da escala de trabalho 6×1 liderou com 17% das preferências dos participantes.






