O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou sua conta na rede social X para repudiar o que chamou de “acusações levianas” direcionadas ao resultado das eleições no Brasil. A publicação foi feita na noite do último sábado, 7.
Defesa das urnas eletrônicas
Durante sua manifestação na internet, o magistrado saiu em defesa do sistema de votação brasileiro e criticou, sem citar nomes, aqueles que colocam a lisura do processo em dúvida.
“Apenas revelam intenções espúrias ou alheamento da realidade de quem as propaga”, afirmou Gilmar. “É preciso reafirmar algumas obviedades sobre a urna eletrônica, que há 30 anos garante eleições limpas no Brasil.”
Contexto internacional e críticas
Na sequência da postagem, o integrante da Suprema Corte detalhou os três níveis de verificação de segurança pelos quais as máquinas passam e pontuou que mais de 170 observadores internacionais fiscalizaram o pleito. Entre eles, citou Daniel Zovatto, ex-diretor para a América Latina do Instituto para a Democracia e a Assistência Eleitoral.
A declaração do decano surge em um momento em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que concorreu ao segundo turno contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tem concedido entrevistas a veículos de comunicação estrangeiros questionando os resultados. Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o candidato petista obteve um acréscimo de mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno, revertendo o cenário e garantindo a vitória. Em suas postagens no X, o ministro do STF se referiu a Flávio como “candidato derrotado” duas vezes.
Por outro lado, a postagem de Gilmar Mendes não mencionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, que prorrogou o período de votação do segundo turno em duas horas, estendendo o encerramento das urnas das 17h para as 19h no horário de Brasília.
Histórico de declarações
Apesar da atual defesa enfática das urnas, o magistrado já admitiu publicamente falhas no sistema eletrônico em sessão plenária do STF realizada em 6 de junho de 2018.
“As vulnerabilidades do sistema de votação eletrônica são conhecidas da Justiça Eleitoral e, mais que isso, a Justiça Eleitoral os aponta. Por exemplo, o surgimento daquilo que, na linguagem da Justiça Eleitoral se fala, do ‘mesário pianista’”, afirmou Gilmar, na ocasião, segundo a Agência Lupa. “Em alguns locais se detectou. Em locais longínquos, em geral, o mesário acabava votando por alguém ausente. Isso por exemplo se detectou em um lugar no Maranhão e há um inquérito em tramitação sobre isso. Como que se descobriu? Porque se fez o cruzamento. Esse mesmo eleitor que justificou a ausência tinha votado. São questões marginais.”






