Especialistas investigam a fusão nuclear como uma alternativa inovadora para a produção de eletricidade. O método imita o funcionamento do núcleo solar, prometendo níveis elevados de segurança e uma quantidade bem menor de lixo radioativo em comparação com as usinas atômicas tradicionais.
Enquanto a fissão nuclear usada comercialmente hoje em dia se baseia na separação de núcleos atômicos pesados, o novo método une núcleos leves, a exemplo do deutério e do trítio, com o objetivo de gerar energia.
O papel do plasma na reação De acordo com Gustavo Canal, professor do Instituto de Física da USP, o processo produz hélio e nêutrons, que concentram cerca de 80% da energia liberada na reação.
O pesquisador explicou que um dos principais obstáculos para a exploração comercial da tecnologia é a necessidade de atingir temperaturas de aproximadamente 150 milhões de graus Celsius.
Nesse cenário, o combustível vira plasma, um estado da matéria indispensável para que as reações de fusão aconteçam. Tanto o aquecimento quanto o confinamento desse material demandam sistemas complexos e alto gasto energético.
Iniciativas globais e segurança Um dos principais projetos internacionais é o Iter (Reator Termonuclear Experimental Internacional), em construção na França. O equipamento foi projetado para produzir 10 vezes mais potência de fusão do que a potência utilizada diretamente para aquecer o plasma.
O professor Thiago Mastrangelo, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, afirma que a fusão nuclear apresenta potencial para ser mais segura do que a fissão, por não oferecer o mesmo risco de acidentes associados ao derretimento do combustível nuclear.
Contudo, o método não carece totalmente de riscos. As temperaturas extremas e os nêutrons gerados durante o processo podem danificar as estruturas dos reatores e gerar rejeitos radioativos.
Novas aplicações e futuro Conforme apontou Mastrangelo, a fusão também pode ter aplicações além da produção de eletricidade, como a geração de hidrogênio, a dessalinização da água e a produção de radioisótopos utilizados na medicina.
Embora apresente potencial para ampliar a oferta de energia, a tecnologia ainda está em desenvolvimento e depende de avanços técnicos para se tornar comercialmente viável.






