Home / Política / Inmetro cria técnica para identificar madeira ilegal em um minuto

Inmetro cria técnica para identificar madeira ilegal em um minuto

Pesquisa do Inmetro reforça combate ao comércio ilegal de madeira

Cientistas brasileiros desenvolveram uma metodologia capaz de identificar a espécie de uma tora ou tábua de madeira em cerca de 60 segundos por meio de sua composição molecular. O avanço representa uma ferramenta estratégica para frear o comércio ilegal de recursos florestais no país, permitindo que agentes de fiscalização comprovem fraudes documentais de maneira rápida e com alto rigor técnico.

Assinatura molecular substitui análise visual

Desenvolvido pelo Laboratório de Análise Orgânica do Inmetro em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro, o método baseia-se na espectrometria de massas para mapear as moléculas orgânicas resultantes do metabolismo de cada árvore. Esse perfil atua como uma verdadeira impressão digital da matéria-prima vegetal, superando as limitações do reconhecimento anatômico convencional.

Publicada na revista científica ACS Omega, a prova de conceito analisou 60 amostras de cerne provenientes de coleções científicas amazônicas (as chamadas xilotecas). O estudo focou em quatro espécies de alto valor comercial: jatobá, andiroba, cedro (gênero Cedrela) e mogno (Swietenia macrophylla) — sendo os dois últimos protegidos internacionalmente pela convenção Cites.

Os testes atingiram 95% de exatidão na validação cruzada do modelo estatístico e registraram 100% de acerto em ensaios cegos realizados com amostras desconhecidas pelo sistema.

O gargalo da fiscalização nas estradas

O controle do transporte florestal no Brasil conta com plataformas como o Sinaflor e a emissão do DOF (Documento de Origem Florestal). No entanto, quando um veículo de carga é abordado em rodovias, o material bruto já não apresenta folhas, frutos ou flores, o que dificulta atestar se o conteúdo confere com a nota fiscal.

Essa barreira técnica viabiliza esquemas fraudulentos recorrentes:

Em agosto de 2025, a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 2.043 m³ de madeira por inconsistências volumétricas e de classificação botânica. Em junho de 2026, outras 153 m³ foram retidas no Pará pelo mesmo motivo. Mais recentemente, em outubro de 2026, uma fiscalização no Maranhão interceptou cerca de 100 m³ com dados divergentes, encontrando inclusive exemplares de espécies sob risco de extinção na carga.

Equipamento compacto viabiliza uso em campo

Diferentemente dos equipamentos laboratoriais de grande porte e de alto custo, a abordagem do Inmetro utiliza uma plataforma analítica simplificada, cujo valor equivale a cerca de 20% dos instrumentos tradicionais de alta resolução. O maquinário demanda preparação mínima da madeira e não exige condições ambientais rígidas de laboratório.

Essa portabilidade relativa possibilita que, após a ampliação do banco de dados botânico, a tecnologia seja instalada diretamente em postos alfandegários, aeroportos, portos marítimos e bases operacionais móveis.

Patrimônio biológico sob pressão

O Brasil concentra a maior biodiversidade do globo — estimada entre 15% e 20% do total planetário —, mas acumula perdas severas de espécies emblemáticas em decorrência do extrativismo histórico predatório. O pau-brasil (Paubrasilia echinata) sofreu retração populacional de mais de 80% em três gerações e está sob perigo crítico. No caso do mogno,

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *