O menino Anthony Heitor, de 2 anos, recebeu alta médica após passar um dia internado e sofrer uma parada cardíaca decorrente da ingestão acidental de uma superdose de medicamento controlado em Itamaracá, cidade localizada na Região Metropolitana do Recife.
O acidente com o medicamento
O caso aconteceu na manhã da sexta-feira (6). A criança, que tem autismo e epilepsia, encontrou o remédio — cuja substância ativa é a periciazina, utilizada para auxiliar no sono — enquanto a mãe havia saído brevemente para buscar o almoço. O garoto ficou sob os cuidados da irmã de 13 anos e acabou ingerindo mais da metade de um frasco conta-gotas, o que representou uma dose 36 vezes superior à prescrita pelos médicos.
Segundo a mãe, Maria Hozana Silva Fagundes, o filho apresenta picacismo, um transtorno alimentar que leva o indivíduo a consumir substâncias não nutritivas. “Ele come sabonete, se deixar fácil. Desde novinho que ele tem essa síndrome. Então, o remédio, para ele, não é coisa ruim, é coisa boa. Tudo que for de arder, para a gente é ruim, mas para ele é bom. […] Sempre sou muito ativa, não deixo essas coisas fácil e de repente ele achou o remédio que eu não sabia onde estava, estou me mudando de casa”, explicou.
Socorro de urgência e intubação
Após ser alertada pela filha adolescente, Hozana retornou rapidamente à residência e levou o filho de carro de aplicativo até o Hospital Municipal de Igarassu. Na unidade de saúde, o paciente sofreu uma parada cardíaca.
“Fui voando para Igarassu, para a emergência de lá. Quando eu cheguei, ele já estava desacordado. Na hora em que eu cheguei, eles já pegaram o meu filho, levaram direto para a Sala Vermelha, fizeram uma lavagem nele, tentaram tirar tudo o que tinha dentro dele, só que já tinha feito mais de uma hora que ele tinha tomado a medicação. Depois dele ‘dopadinho’, ele teve uma piora. Não abria mais os olhos e não respondia. Aí tiveram que entubá-lo”, relatou a mãe.
Transferência aeromédica para o Recife
Devido à gravidade do quadro clínico, a equipe médica viabilizou a transferência para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração, situado na área central do Recife. Como o trânsito impedia um deslocamento rápido por terra, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) cedeu um helicóptero para realizar o transporte aéreo.
O voo durou apenas seis minutos, pousando no Campo do Derby nas proximidades do hospital de destino. À noite, a equipe médica optou pela extubação, pois o menino resistia à sedação e tentava se movimentar.
Recuperação e alta hospitalar
O garoto dormiu após o procedimento e despertou no início da tarde do sábado (7). Após permanecer sob observação médica por algumas horas, Anthony Heitor recebeu alta e retornou para casa junto à família.
“Ele passou por um quadro muito grave e reagiu muito bem a tudo. Quando eu cheguei no Hospital de Igarassu, depois da parada cardíaca, eu pensei, mesmo, que ia enterrar meu filho. […] Só que, depois que foi para o HR, ele teve um quadro de melhora muito grande”, declarou a mãe.






