O guitarrista Richard Lloyd, um dos fundadores da influente banda norte-americana Television, morreu aos 75 anos neste sábado (7). A causa do falecimento foi um câncer no duto biliar, conhecido como colangiocarcinoma, conforme nota divulgada pela família à imprensa internacional.
Histórico e formação do Television Fundado em Nova York no ano de 1973, o grupo desempenhou um papel central na consolidação do punk rock e da vertente alternativa na década de 1970. A formação clássica contava com Tom Verlaine nos vocais e na guitarra, Richard Hell no baixo e Billy Fica na bateria, além de Lloyd nas guitarras.
O grupo encerrou as atividades inicialmente em 1978, período em que gravou dois discos de estúdio, e retornou aos palcos em 1992 para novos projetos.
Relevância cultural e o clube CBGB A trajetória da banda esteve diretamente ligada à transformação musical do lendário clube CBGB, administrado por Hilly Crystal. Com a forte presença do grupo, a casa noturna abriu espaço de vez para o som autoral e inovador do punk nova-iorquino.
O álbum de estreia do conjunto, batizado de Marquee Moon, permanece até hoje entre os registros mais aclamados e fundamentais da história do rock mundial.
“Com uma sonoridade única, alia harmonias trabalhadas, letras poéticas e uma textura de guitarras que se cruzam desafiando o conceito de ritmo e solo. Tanto Tom Verlaine quanto Richard Lloyd solavam e tocavam bases rítmicas instigantes, em canções com o lirismo de Venus ou mais pesadas como See no Evil”, consta em crítica publicada no Estadão em 2011.
Legado para as gerações seguintes A parceria nas seis cordas entre os fundadores tornou-se a assinatura sonora do projeto, inspirando diversas gerações posteriores de artistas, a exemplo do grupo The Strokes.
“Meio sem querer, porque Verlaine não conseguia cantar e solar ao mesmo tempo, ele e Richard Lloyd criaram uma batalha de guitarras que se tornou o principal trunfo e marca registrada do Television e influenciou muita gente, como os Strokes. Eles dividiam os solos meio a meio, sendo que Lloyd liderava quando Verlaine cantava”, consta, em outro texto publicado no Estadão, em 2020.
A partida do guitarrista encerra um importante capítulo da história do rock underground, deixando um legado de inovações estéticas que continuam a ecoar na música contemporânea.






