Bombardeios maciços com mísseis e drones atingiram a infraestrutura energética da Ucrânia durante a madrugada de sábado (7). A ofensiva sobrecarregou o fornecimento de luz e os sistemas de aquecimento em Kiev, justamente no momento em que as temperaturas locais se aproximavam dos 0ºC, de acordo com informações divulgadas por autoridades ucranianas.
Escala da ofensiva e impactos na capital
Conforme dados apresentados pelo presidente Volodymyr Zelensky, foram disparados 36 mísseis balísticos e 172 drones contra o território ucraniano, sendo que a Força Aérea conseguiu abater 149 deles. Os alvos principais foram as instalações de energia do país.
“A capital enfrenta sérias dificuldades com o fornecimento de eletricidade, água e aquecimento”, disse Zelensky em post na rede social X, acrescentando que subestações da capital, Kiev, e outras cinco regiões foram afetadas.
Além dos danos à rede elétrica, a violência da ofensiva atingiu a Ponte Norte sobre o rio Dnipro, conforme relatou o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko. O balanço preliminar aponta pelo menos duas mortes e cerca de uma dúzia de feridos, além de moradias, comércios e edifícios comerciais danificados.
Posicionamento de Moscou e conversas de paz
Do outro lado, o Ministério da Defesa de Moscou confirmou a execução de um ataque em grande escala. A pasta justificou que a operação teve como alvo o setor militar-industrial da Ucrânia, além de redes de energia e de transporte situadas na capital e em áreas vizinhas.
A onda de bombardeios acontece a poucos dias de uma nova rodada de negociações tripartidas em Abu Dhabi. O encontro diplomático envolverá representantes da Ucrânia e da Rússia, sob uma iniciativa de paz apoiada pelos Estados Unidos que ainda apresenta poucos avanços práticos.
“A Rússia está se preparando para negociações trilaterais lançando mísseis balísticos contra a infraestrutura crítica da Ucrânia “, criticou Zelensky no X.
Histórico recente de violência em Zaporizhzhia
A escalada militar recente também inclui um episódio grave ocorrido em Zaporizhzhia, onde uma escola adaptada para a distribuição de auxílio humanitário foi destruída por bombardeios na última segunda-feira (2). Um balanço oficial contabilizou 43 mortes no local.
Imagens divulgadas pela Polícia Nacional da Ucrânia registraram o momento em que equipes de segurança e civis tentaram se abrigar no complexo subterrâneo ao ouvirem os alertas de ataque aéreo, antes de o prédio ser completamente atingido. As buscas por dezenas de desaparecidos continuaram nos dias seguintes.
O presidente ucraniano condenou o episódio e denunciou a prática de um ataque duplo, conhecido como “double tap”.
“Os ataques tiveram como alvo uma escola utilizada para fins humanitários: era lá que as pessoas recebiam ajuda humanitária. Após o primeiro bombardeio, houve um segundo ataque, com mais nove bombas, que atingiu especificamente o abrigo onde as pessoas haviam buscado proteção”, afirmou.
A técnica do “double tap” é proibida pelo direito internacional e pela Convenção de Genebra, pois frequentemente visa atingir socorristas, jornalistas e civis, o que pode configurar crime de guerra.






