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Alertas falsos de bomba em voos e na imprensa preocupam a Europa

Onda de falsas ameaças de bomba na Europa gera suspeitas de 'campanha coordenada'; veja o que se sabe

Governos europeus enfrentam uma série de transtornos no transporte aéreo e em redes de comunicação devido a uma onda de alertas falsos de bomba. A Irlanda denunciou nesta sexta-feira (13) uma “provável campanha coordenada” por trás das mensagens direcionadas a voos comerciais e veículos de imprensa, incluindo a britânica Sky News e a francesa TF1.

Impacto na aviação civil e desvios de rotas

Mais de 20 voos foram diretamente atingidos pelos avisos falsos ao longo da semana. Na República Tcheca, 11 aeronaves com rota para Praga sofreram interferências. O mesmo ocorreu com quatro voos rumo a Madri, na Espanha, e em um trajeto entre Lisboa e Roma. Na França, quatro aviões em pleno voo precisaram lidar com as notificações de perigo.

A Bulgária registrou duas ocorrências de aeronaves vindas de Londres e Bruxelas que aterrissaram no aeroporto de Sófia sob alerta. Já a Hungria acionou caças militares para escoltar três aviões alvos das ameaças. Todas as aeronaves aterrissaram em segurança e passaram por vistorias de equipes especializadas em explosivos, que não encontraram nenhum artefato.

Conexão com operações híbridas na região

Especialistas avaliam que a ação faz parte de um cenário mais amplo de táticas de desestabilização atribuídas a potências estrangeiras, como Rússia e Irã. O objetivo seria enfraquecer o respaldo europeu à Ucrânia por meio de sabotagens, ataques cibernéticos e campanhas de desinformação.

Sem apontar quem está por trás das ameaças, Jean Marc Rickli, diretor de riscos globais e emergentes do Centro de Política de Genebra, afirmou à agência France Presse (AFP) que os episódios devem ser analisados no contexto das chamadas operações híbridas contra países europeus.

“Não custa nada para quem faz, mas tem um impacto importante em nível logístico e, logicamente, na percepção da população. As autoridades não podem ignorar estes alertas porque, se uma se materializar, serão consideradas responsáveis”, afirmou.

Investigação e o fator grupos ultranacionalistas

Na quinta-feira, mensagens enviadas para aeroportos em Roma e Sófia foram atribuídas aos chamados “combatentes do Estado Masculino”, expressão ligada a um movimento ultranacionalista russo. No entanto, autoridades não confirmam a veracidade do vínculo e o criador da organização negou qualquer participação nos atos.

Em paralelo, o chefe da polícia de Londres, Mark Rowley, alertou sobre a necessidade de ponderação para evitar reações desproporcionais diante de cada notificação recebida pelas forças de segurança.

Em entrevista à rádio BBC 4 nesta sexta-feira, Rowley comparou a situação atual às falsas ameaças de bomba registradas durante o período de atuação do IRA, grupo paramilitar irlandês.

“Já vivemos isto no passado. Quando enfrentávamos as ameaças terroristas vinculadas ao IRA, há décadas, falávamos de ‘terrorismo a 10 pence’ (10 centavos): um telefonema falso anunciando uma bomba podia perturbar uma cidade inteira. Tivemos que aprender a viver distinguindo entre o que era um trote e o que era real”, afirmou.

Infraestrutura civil sob mira

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também reforçou que incidentes recentes demonstram uma vulnerabilidade sistêmica nas estruturas civis do continente, citando investidas cibernéticas recentes.

“Hoje, não estamos em condições de afirmar se (…) estão todas relacionadas. Mas todas nos indicam, sem dúvida, uma mesma realidade: hoje são as infraestruturas civis as que estão sendo atacadas”, declarou a jornalistas durante um evento.

Apesar do receio generalizado, o rigor das equipes de inspeção garantiu que nenhuma das ocorrências resultasse em tragédias ou na confirmação de artefatos explosivos a bordo.

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