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Regiões de Campinas e Piracicaba têm 5 roubos de joias por dia

Regiões de Campinas e Piracicaba registram 1,5 mil casos de roubo e furto de joias em nove meses, média de cinco por dia

O interior de São Paulo registrou um cenário preocupante de criminalidade nos primeiros nove meses de 2026. As regiões de Campinas e Piracicaba acumularam 1.592 ocorrências de roubo e furto de joias e objetos de valor, o que equivale a uma média diária de cinco crimes. Os dados, compilados pelos departamentos de Polícia Judiciária (Deinter 2 e 9), indicam um leve crescimento em comparação aos 1.582 casos contabilizados no mesmo intervalo de 2025.

Perfil dos itens mais visados

De acordo com o balanço oficial, os criminosos possuem alvos preferenciais bem definidos. No topo da lista estão os colares e gargantilhas, com 305 registros, seguidos pelas alianças (298), anéis (249), relógios (182) e brincos (152).

Desafios na recuperação dos objetos

A dificuldade das autoridades em devolver os bens às vítimas reside na rapidez com que os itens são descaracterizados. O diretor do Deinter 2, Oswaldo Diez, explicou que a estrutura de receptação é um obstáculo para as investigações.

“Nós percebemos que são quadrilhas, muitas vezes, especializadas, com receptadores também já especializados. A joia, ela é facilmente descaracterizada. Ela é derretida, são retiradas as pedras preciosas. Isso aí descaracteriza aquele objeto que seria a prova daquele crime, ou seja, provando que aquele objeto era o objeto que foi subtraído”, justificou.

Além disso, o diretor pontuou que, em ocorrências domiciliares, a polícia frequentemente encontra indícios de proximidade entre criminosos e alvos. “Quando o roubo ou o furto é realizado no interior de uma residência, durante as investigações, em alguns casos, a gente percebe que existe uma ligação entre a vítima e o autor desse crime”, disse.

Impacto direto nos empreendedores e cidadãos

O prejuízo vai muito além do financeiro, afetando o psicológico das vítimas. Em Hortolândia, uma esteticista teve sua clínica invadida em maio, amargando um prejuízo de R$ 15 mil. Ao relembrar o trauma, ela destacou a sensação de desamparo: “Particularmente, fiquei entre dois e três meses tentando me equilibrar psicologicamente porque influencia muito. A gente sente além da impotência, a segurança não ajuda, que fica um descaso com o empreendedor”.

Outro caso emblemático ocorreu em Santa Bárbara d’Oeste, onde o autônomo Wagner Almeida foi rendido por assaltantes armados. Ele foi ferido ao tentar resistir durante a abordagem. “Tentaram me arrastar, eu resisti, para não me levar. Eu falei, pode levar o carro, né? Aí o carro eles não conseguiram levar, mas levaram o relógio meu, né? E a minha corrente que eu tinha, que é valiosa, né?”, relatou.

O impacto emocional permanece presente após a violência vivida. “Estou ainda bem assustado com tudo o que aconteceu, mas eu creio que Deus vai me dar a vitória e vai tirar essas coisas da minha mente. A gente espera que a Justiça seja feita”, completou.

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