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Transporte é o maior entrave para 75% da indústria brasileira

CNI: transporte é o maior gargalo para 75% da indústria

A infraestrutura logística brasileira é o principal obstáculo para o crescimento do setor fabril, de acordo com um levantamento inédito realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O estudo, intitulado Panorama da Infraestrutura: Principais Demandas da Indústria Brasileira, ouviu 2,5 mil executivos de empresas de médio e grande porte em todo o território nacional e revelou que 75% dos empresários consideram o transporte o maior gargalo para seus negócios.

Impacto nos custos e dependência rodoviária O cenário atual reflete uma década de desafios financeiros, com 91% dos entrevistados relatando elevação nos gastos com fretes nos últimos dez anos. Para 70% desses gestores, a escalada de preços foi acentuada o suficiente para comprometer a competitividade dos bens produzidos no país. A dependência do modal rodoviário é quase absoluta, com 98% das companhias utilizando caminhões para distribuir sua produção. Destas, quase um quarto percorre rotas superiores a 1,6 mil quilômetros.

Mudança de modal e eficiência logística Caso o Brasil oferecesse uma estrutura multimodal mais robusta, 45% dos industriais migrariam parte de suas cargas para outros meios. O interesse é liderado pelas ferrovias, com 63% da preferência, seguidas pelo setor aéreo (21%) e o aquaviário (12%). A principal motivação para essa transição é econômica, sendo apontada por 82% das empresas como uma forma de reduzir custos operacionais, além da expectativa de maior segurança, citada por 43% como uma vantagem para a diminuição de acidentes.

Avaliação das ferrovias e setor elétrico O setor ferroviário brasileiro apresenta a pior avaliação entre os entrevistados, com apenas 21% de aprovação — um índice muito abaixo de serviços como energia elétrica (60%), telecomunicações (62%) e aeroportos (64%). Atualmente, cerca de 12 mil quilômetros da malha ferroviária nacional estão inutilizados ou em estado de abandono. Paralelamente, o custo da energia elétrica também é visto como um entrave, com 81% das empresas classificando a tarifa como cara, impactada por uma composição de 44% de impostos e encargos.

Visão da liderança sobre os desafios O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou que o estudo desenha um panorama crítico sobre a situação atual. “O levantamento aponta problemas como rodovias em más condições, trechos ferroviários abandonados, limitações de acesso e capacidade nos portos, falhas no fornecimento de energia, dificuldades de conectividade à internet e restrições para o tratamento e a destinação de efluentes”, afirmou.

Para contornar essas limitações, o diretor de Relações Institucionais da CNI, Roberto Muniz, enfatiza a necessidade de atrair aportes externos. “Diante da limitação dos recursos públicos, o capital privado é cada vez mais importante para financiar a expansão e a modernização da infraestrutura brasileira”, declarou. Muniz reforça, contudo, que o sucesso dessa estratégia depende da garantia de um ambiente com estabilidade regulatória e regras institucionais claras.

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