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Por que Democratas são azuis e Republicanos vermelhos nos EUA?

Democratas são azuis e republicanos são vermelhos, mas já foi o contrário: entenda origem das cores dos partidos nos EUA

A identificação visual dos partidos Democrata e Republicano com as cores azul e vermelho, respectivamente, é um dos pilares da cobertura política nos Estados Unidos. Embora hoje o termo “onda azul” seja sinônimo de vitória democrata, essa padronização é um fenômeno recente, tendo se estabelecido de maneira definitiva apenas nas eleições de 2000. Curiosamente, a história da representação gráfica nas telas americanas começou com uma lógica completamente inversa à que conhecemos hoje.

A influência da televisão na identidade partidária

O uso de cores para distinguir votos nos estados surgiu na década de 1970, conforme a televisão em cores se tornava um item comum nos lares americanos. Em 1972, a rede CBS utilizou o azul para identificar os estados vencidos pelo republicano Richard Nixon e o vermelho para o democrata George McGovern.

Em 1976, a NBC inovou ao introduzir um painel analógico luminoso que exibia o mapa eleitoral de forma permanente. Nesse sistema, o vermelho representava os democratas e o azul os republicanos. Sobre a escolha arbitrária das cores, uma reportagem da revista “Smithsonian” registrou que os produtores da NBC da época disseram que não se lembraram de discutir muito a respeito sobre qual cor ficaria com qual partido. Segundo um dos funcionários, a escolha foi feita com base no Reino Unido, que também possui um sistema mais ou menos bipartidário e cuja bandeira tem as mesmas cores da americana – onde os Trabalhistas, mais de esquerda, usam a cor vermelha, e os Conservadores, a azul.

A consolidação do padrão no ano 2000

Durante as décadas de 1980 e 1990, não havia um consenso. Emissoras trocavam o significado das cores a cada ciclo eleitoral, e os mapas variavam conforme a conveniência editorial de cada canal. Foi apenas com a disputa acirrada entre George W. Bush e Al Gore, no ano 2000, que a nomenclatura se fixou.

Como a apuração foi extremamente lenta e marcada pela recontagem de votos na Flórida, os mapas com a divisão entre “estados vermelhos” e “estados azuis” permaneceram na tela por semanas. A repetição exaustiva do padrão gráfico nos noticiários e no entretenimento, com comentaristas e figuras como David Letterman adotando os termos, fez com que a associação fosse finalmente assimilada pelo público.

Contexto histórico e exceções

Antes da era televisiva, a relação dos republicanos com o azul tinha raízes mais profundas, remontando ao século 19. Durante a Guerra Civil Americana, o azul era a cor icônica dos uniformes dos unionistas, liderados por Abraham Lincoln, o primeiro presidente republicano do país.

Hoje, a divisão é tão rígida que os partidos incorporaram as cores em suas identidades visuais oficiais. Para cenários onde não há um favorito claro, a imprensa utiliza o termo “estados roxos” ou a cor branca para diferenciá-los. Já candidaturas de terceiras vias permanecem sem uma cor definida, uma vez que não possuem representatividade expressiva no Colégio Eleitoral desde 1968, quando George Wallace conquistou cinco estados com uma plataforma segregacionista.

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