Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira, 2, uma nova rodada de negociações com Rússia e Ucrânia para os dias 10 e 11 de novembro, em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O encontro reunirá representantes dos três governos para discutir as condições de um acordo de paz, incluindo a segurança dos dois países depois do fim da guerra.
Articulação diplomática e encontros na Europa
A iniciativa anunciada pelo enviado especial norte-americano Steve Witkoff integra as negociações conduzidas pelo governo do presidente Donald Trump, que retomou contatos diplomáticos com Moscou e Kiev depois de assumir seu segundo mandato.
Segundo Witkoff, as negociações vão abordar garantias de segurança para o período posterior à guerra, medidas para reduzir os confrontos, questões humanitárias e os próximos passos para um acordo de paz. O enviado norte-americano também anunciou reuniões nesta semana, em Bruxelas, com representantes de França, Alemanha, Reino Unido, União Europeia e Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
Principais impasses e divergências territoriais
Um dos principais obstáculos ao acordo é o controle de territórios ucranianos ocupados pela Rússia. Moscou reivindica a Crimeia, anexada em 2014, e as regiões de Donetsk, Luhansk, Zaporizhzhia e Kherson, cujas anexações anunciou em setembro de 2022. O governo ucraniano não reconhece essas incorporações e exige o respeito à integridade territorial do país.
As duas partes também divergem sobre a segurança da Ucrânia depois da guerra. A Rússia se opõe à entrada do país na Otan, aliança militar liderada pelos EUA. Já Kiev busca compromissos internacionais que garantam sua defesa caso Moscou volte a atacar o território ucraniano.
Expectativas e formato das conversas
Segundo o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a reunião em Abu Dhabi deve discutir garantias de segurança para Rússia e Ucrânia. Já o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, explicou que as conversas começarão entre equipes técnicas, enquanto as principais decisões dependerão de um encontro entre os chefes de Estado.
Histórico do conflito e mediação internacional
A guerra começou em 24 de fevereiro de 2022, quando tropas russas invadiram a Ucrânia por diferentes frentes, incluindo áreas próximas a Kiev. O conflito ampliou a disputa iniciada em 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e separatistas apoiados por Moscou passaram a controlar partes do leste ucraniano.
Desde janeiro de 2025, o governo Trump atua nas negociações para encerrar a guerra. Em março, delegações dos EUA se reuniram com representantes russos e ucranianos, em encontros separados, em Riade, na Arábia Saudita.
Na ocasião, os EUA discutiram com Rússia e Ucrânia a suspensão de ataques a instalações de energia, a segurança da navegação no Mar Negro e medidas humanitárias, como a troca de prisioneiros e o retorno de crianças ucranianas. Washington também negociou com Moscou questões relacionadas às exportações agrícolas russas.
Apesar das reuniões, as partes não chegaram a um acordo para encerrar a guerra. Em outubro deste ano, Zelensky voltou a propor a suspensão de ataques contra instalações energéticas. O presidente ucraniano também pediu aos EUA que pressionassem Moscou a aceitar a medida.






