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Inglês retorna para casa após dar volta ao mundo a pé por quase três décadas

Conheça a história do inglês que voltou para casa depois de dar a volta ao mundo a pé durante 28 anos

O ex-paraquedista britânico Karl Bushby encerrou uma jornada épica nesta segunda-feira (2) ao retornar para sua terra natal, na Inglaterra, após passar exatos 28 anos caminhando pelo planeta sem recorrer a meios de transporte.

O início da longa caminhada no Chile

A aventura teve início em 1 de novembro de 1998, na cidade de Punta Arenas, no extremo Sul chileno. Naquela época, aos 29 anos de idade, ele desembarcou na América do Sul com apenas US$ 500 no bolso e o firme propósito de retornar a pé para sua cidade natal, Hull.

O trajeto inicial incluiu a subida por todo o continente americano até o Alasca, exigindo oito anos de andança. Pelo caminho, enfrentou congelamento de placas de gelo, trechos a nado em águas gélidas no estreito de Bering e uma longa travessia de 18 anos pela Ásia.

Desafios burocráticos e travessias oceânicas

Para avançar rumo à Europa, o aventureiro precisou superar limites físicos e geográficos drásticos. Em 2024, nadou cerca de 300 km no Mar Cáspio para alcançar o Azerbaijão. Já em 2025, atravessou o Bósforo em Istambul e, em outubro, concluiu o trajeto final na Inglaterra nadando pelo Canal da Mancha.

Ao longo de 29 países e quase 50 mil quilômetros percorridos, a rota sofreu pausas forçadas devido a crises sanitárias mundiais, burocracia excessiva, problemas com vistos, enfermidades, escassez de recursos financeiros e intempéries climáticas.

“Mas a burocracia foi o que mais atrapalhou. Eu levei dez anos só para conseguir cruzar a Rússia”, conta.

O planejamento inicial não nasceu de promessas religiosas ou apostas, mas sim de uma conversa com colegas militares que questionavam a viabilidade de cruzar o estreito de Bering a pé. Para se sustentar, ele empurrava um carrinho com equipamentos de sobrevivência, contando com a ajuda e doações de moradores locais que lhe ofereciam teto e comida.

“Eu não tenho nada de especial. Na verdade, tenho dificuldades físicas com a maioria das coisas. Mas eu sabia que era capaz”.

Reencontro familiar e reflexão sobre a humanidade

De volta à Inglaterra, o viajante finalmente pôde abraçar a mãe após quase três décadas. Seus planos para o futuro incluem desfrutar do convívio familiar, reaproximar-se do filho e conhecer a neta, que já completou 12 anos, além de buscar uma colocação profissional e aposentar as grandes expedições.

Depois de tanto tempo na estrada, o impacto do mundo moderno mudou drasticamente. Quando ele partiu, marcos arquitetônicos famosos ainda não existiam e o cenário político internacional era completamente distinto. Contudo, a maior lição recolhida em quase trinta anos de estrada veio das interações humanas.

“Extraordinariamente bom. Em 99% das vezes, encontrei o que há de melhor na humanidade. Em todas as culturas, em todos os países”, afirma Karl Bushby.

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