Investigações apontam que um homem apontado como ex-agente do Mossad, o serviço de inteligência de Israel, participou da saída do senador e candidato derrotado à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), do Brasil em direção aos Estados Unidos. Dados do sistema de imigração indicam que Menachem Booky Halevy estava em uma van que atravessou a fronteira com a Argentina instantes antes do veículo que transportava o congressista e seus familiares rumo a Puerto Iguazú.
A rota e os registros de imigração Conforme os levantamentos, Menachem ingressou no território brasileiro em 19 de outubro por meio de Guarulhos (SP). Na noite de 27 de outubro, duas vans da empresa Iguaçu Dallas Travel Turismo Ltda., situada em Foz do Iguaçu, realizaram a travessia da fronteira. Em um dos veículos, constavam os dados da esposa e das filhas de Flávio.
O sistema migratório registrou três entradas do senador na mesma van: às 22h37 utilizando passaporte italiano, às 22h40 por meio de carteira de motorista e às 23h11 com passaporte brasileiro. Posteriormente, os registros com os documentos nacionais foram cancelados, permanecendo válido o ingresso via passaporte italiano.
O segundo veículo transportava o motorista Neri Luiz Dala Corte, o advogado Roberto Jorge Alexandre e Menachem Booky Halevy. O motorista relatou ter sido contratado para buscar dois homens em Foz do Iguaçu com destino ao aeroporto de Puerto Iguazú, negando ter visualizado integrantes da família Bolsonaro.
Apuração sobre os voos e conexões Em paralelo ao registro terrestre, a Polícia Federal analisa a hipótese de o senador ter deixado o país pela manhã em um jatinho associado ao seu amigo e advogado Willer Tomaz, que é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios com bets. Os dois cumprem proibição de contato imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O congressista não possui mandado de prisão expedido contra si, tampouco há ilegalidade confirmada no uso da aeronave até o momento.
Os levantamentos apontam que o político teria embarcado em um Cessna Citation Excel (prefixo PR-AAA) que decolou de Brasília às 5h05 do dia 27 de outubro, aterrissando em San Fernando, na Argentina, às 8h40. O município argentino fica a aproximadamente 1.200 km de Puerto Iguazú, local de partida do jatinho Gulfstream G400 (prefixo LV-JQW) que conduziu o grupo a Miami.
A Agência Nacional de Aviação Civil aponta que o Cessna utilizado na rota pertence à Jet Line Locações e Serviços Aéreos, cujas sócias são Christine Tomaz de Souza e Flávia Oliveira Correa Tomaz, respetivamente irmã e esposa de Willer Tomaz. A assessoria de Tomaz negou o uso de aeronaves da família pelo senador e refutou qualquer envolvimento com lavagem de dinheiro, assegurando que as transações foram rastreáveis.
Posicionamentos oficiais e nota da defesa Questionado, Flávio Bolsonaro declarou que foi procurado pela emissora responsável pela apuração e que só aceitaria conceder entrevista caso a veiculação ocorresse na íntegra. Segundo o senador, a empresa “preferiu não seguir adiante”, apontando que não haveria espaço adequado para seu direito de resposta.
Em nota oficial, o advogado Frederick Wassef declarou que “nenhuma informação sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro é oficial ou foi confirmada”. O defensor também afirmou: “Existe apenas uma apuração em curso envolvendo terceiros, ainda em fase inicial, na qual não há qualquer prova ou indícios contra Flávio Bolsonaro”.
A íntegra da nota divulgada pela defesa reforça os argumentos jurídicos:
“Nenhuma informação sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro é oficial ou foi confirmada. “Eventuais vazamentos de informações são ilegais e contribuem para a construção de narrativas distorcidas dos fatos. “Flávio Bolsonaro não fugiu. A utilização do termo ‘fuga’ é falsa e não corresponde à realidade. “O senador não responde a processo criminal, não foi indiciado, não é réu e não possui condenação criminal. Tem sua ficha limpa e recebeu quase 60 milhões de votos. “Sua viagem, portanto, não representa fuga de absolutamente nada. “A informação de que Flávio Bolsonaro teria fugido é falsa e configura desinformação (fake news). “Existe apenas uma apuração em curso envolvendo terceiros, ainda em fase inicial, na qual não há qualquer prova ou indícios contra Flávio Bolsonaro. “Dessa forma, é leviano e representa um grave equívoco utilizar a palavra ‘fuga’ para se referir à viagem do senador, sobretudo sem informações oficiais ou elementos que sustentem tal afirmação.”






