O presidente do Partido Social Democrático (PSD), Gilberto Kassab, avaliou que a insistência em atacar as urnas eletrônicas perdeu relevância e prejudica o próprio campo político bolsonarista.
Críticas ao discurso contra o sistema eleitoral
Durante participação no programa Canal Livre, que será transmitido neste domingo, 1º de novembro, o dirigente partidário classificou como desgastante a postura de manter dúvidas sobre o processo de votação no país. “Questionar a urna, cá entre nós? Chega, chega, isso aí não é mais argumento. Acho que desgasta o bolsonarismo, desgasta o PL. É mais do que provado que a urna, ela é inexpugnável, é um avanço do Brasil”, declarou.
Na avaliação do líder partidário, a postura adotada por Flávio Bolsonaro (PL) em não reconhecer o resultado das urnas fugiu da normalidade política. Ele pontuou que questionamentos jurídicos sobre abusos de campanha são aceitáveis, mas a recusa generalizada ao pleito não é. “O que ele podia falar, depois de cumprimentar o presidente eleito, é que o seu partido ia recorrer porque achava que a campanha do Lula abusou aqui, abusou ali, usou da máquina. É normal, isso é normal. Mas, agora, ele não aceitar o resultado não é normal”, avaliou.
A repercussão de manifesto e a falta de assessoria
O candidato derrotado deixou o território nacional rumo a Miami, nos Estados Unidos, e divulgou por meio de um influenciador digital uma carta na qual se autodenominava o verdadeiro presidente. O texto passou por três modificações em curto espaço de tempo, alterando desde o brasão e o nome do país até a forma como o político se definia publicamente. Para o presidente do PSD, faltou maturidade no entorno do candidato para conter excessos no momento pós-eleitoral. “Faltou um pouco de senioridade aos seus companheiros, porque nesse momento de calor emocional tem que ter alguém que segura o candidato, alguém que tenha ascendência sobre ele. Porque era tão óbvio que a manifestação dele era errada, porque a campanha transcorreu normalmente, não teve nada de errado, não tem nenhum motivo para questionar e se apresentar como um cara que não ia aceitar o resultado”, disse.
Erros estratégicos e o perfil do candidato
Outro ponto destacado na entrevista foi a postura adotada durante a disputa, marcada por um excesso de confiança que teria gerado resistência em parte do eleitorado. “Alguns falam em arrogância, outros em salto alto. Eu não sei qual é o nome, mas na medida que ele foi soltando pílulas do que seria a sua conduta como presidente e numa autoconfiança muito grande, ele assustou os eleitores”, disse.
Segundo o dirigente, propostas de alteração constitucional e declarações na área internacional também afastaram votantes. Além disso, ele apontou um equívoco da direita na seleção do nome para o pleito, avaliando que um perfil mais moderado poderia ter liquidado a fatura ainda no primeiro turno. “Se tivesse um candidato mais ao centro, ele roubaria os votos do centro e ganharia a eleição no primeiro turno. Isso é óbvio e eu reafirmo hoje que eles erraram no candidato”, apontou.
O pleito terminou com a vitória de Lula alcançando 51,78% dos votos válidos contra 48,22% de seu oponente, uma diferença de 4,4 milhões de sufrágios. Mesmo diante de estatísticas e auditorias que atestam a normalidade da votação — incluindo dados da Universidade de São Paulo que mostram um volume inexpressivo de registros após o encerramento oficial —, o partido derrotado seguiu alimentando suspeitas. Kassab cobrou coerência da legenda, lembrando que os resultados favoráveis nas disputas legislativas nunca foram contestados pelo grupo. “É uma questão que está sempre sendo colocada só pelo bolsonarismo, que é um erro deles, porque mostra que tem aquela vontade de melar, que é a impressão que passa. Porque quando ganha, não”, afirmou.
Apesar da derrota na corrida pelo Executivo federal, a legenda assegurou uma representação robusta no Congresso Nacional, conquistando 121 cadeiras na Câmara dos Deputados e 28 assentos no Senado.






