A Character.AI, famosa plataforma de inteligência artificial voltada à criação de personagens virtuais interativos, protocolou um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos. O anúncio, feito nesta segunda-feira (12), veio acompanhado da confirmação de um acordo para negociar a venda de parte de seus ativos à Walt Disney por US$ 20 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 99,7 milhões.
Processo de leilão e cronograma
Com base em informações divulgadas pela agência Reuters, o processo envolve a comercialização de ativos e o licenciamento de parcelas da propriedade intelectual da companhia. A empresa solicitou à Justiça americana a aprovação das diretrizes de um leilão corporativo, no qual a gigante do entretenimento atua como a primeira ofertante.
Por meio desse formato, a proposta inicial da Disney estabelece o piso financeiro para eventuais concorrentes, abrindo espaço para que outros investidores apresentem propostas superiores. A meta da administração é finalizar toda a transação entre o encerramento de novembro e o início de dezembro de 2026.
“Após uma análise abrangente das alternativas disponíveis, o conselho de administração concluiu que esse processo de venda supervisionado pela Justiça oferece à empresa a melhor oportunidade de maximizar o valor para todas as partes interessadas”, afirmou Colin Adams, presidente-executivo da Character.AI.
Situação financeira e funcionamento da plataforma
Criada originalmente por antigos engenheiros do Google, a Character.AI ganhou notoriedade global ao disponibilizar chatbots capazes de simular diálogos humanos para fins de entretenimento, companhia e suporte emocional. Documentos entregues à Justiça americana pela Character Technologies, controladora da marca, indicam que tanto as dívidas quanto os ativos da corporação estão estimados na faixa entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões.
A gestão informou que o objetivo principal é assegurar a continuidade dos serviços com o menor índice de instabilidade possível durante a reestruturação. No entanto, caso nenhum comprador decida assumir a operação contínua do sistema, a plataforma corre o risco de ser encerrada permanentemente.
Histórico de polêmicas e segurança
Ao longo dos últimos anos, a tecnologia enfrentou fortes questionamentos regulatórios e jurídicos acerca dos perigos potenciais para o público infantojuvenil. Em 2024, a companhia implementou protocolos adicionais de segurança após responder a processos judiciais nos Estados Unidos relacionados a episódios de automutilação e suicídio entre usuários jovens.
No início deste ano, um acordo judicial selado entre a empresa, o Google e a mãe de um adolescente de 14 anos — que tirou a própria vida após interagir com um dos robôs de conversação — encerrou uma ação legal, embora os detalhes financeiros não tenham sido tornados públicos.
No âmbito regulatório nacional, o Ministério da Justiça brasileiro recomendou no mês passado que a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) investigasse os riscos associados a aplicações que replicam vínculos românticos e de amizade com o público. A Character.AI constava na lista dos 13 serviços fiscalizados pela autarquia.






