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Custo de vida nos Estados Unidos ameaça maioria de Trump no Congresso

'Poder à Prova': alta do custo de vida é uma das principais preocupações do eleitor americano

A disparada no custo de vida nos Estados Unidos tornou-se a principal preocupação do eleitorado e ameaça retirar a maioria do partido de Donald Trump na Câmara dos Deputados. Para tentar conter os danos políticos, aliados do governo passaram a alterar regras eleitorais em diversos estados norte-americanos.

Impacto na economia e nos pequenos negócios

No Texas, famoso pela tradição no churrasco, a alta nos preços atingiu até o corte mais popular do estado, o brisket. Com o encarecimento da carne bovina, comerciantes precisaram buscar alternativas no cardápio.

“O brisket é o item mais popular do churrasco texano. Então, é um pouco estranho, sabe? Só que essa carne nunca esteve tão cara. Já foi metade do que está agora”, afirma Andrew.

Além da oferta reduzida de gado, o setor enfrenta dificuldades com operações de fiscalização em fábricas de alimentos. “Esta semana, a gente não recebeu a encomenda das outras carnes porque uma das fábricas sofreu uma batida da polícia de imigração, o ICE. Aí eles nos avisaram que a fábrica foi fechada”, relata Andrew.

Inflação, combustíveis e política externa

A força de trabalho imigrante é essencial em setores como construção e agricultura, e o endurecimento migratório acaba encarecendo os serviços. Ao mesmo tempo, o encarecimento de combustíveis como gasolina e diesel pesou no orçamento das famílias, impulsionado por conflitos internacionais.

“Precisamos acabar com essa guerra no Irã”, afirma Joseph.

Especialistas apontam que fatores econômicos estruturais e decisões da administração atual agravaram o cenário inflacionário. “Não é um problema que começou agora. Agora, os Estados Unidos, como sempre, fizeram muita coisa para piorar. Entre elas, evidentemente, as tarifas, que encareceram muitas coisas. A campanha dele contra imigrantes, que em certas áreas aumentou muito o custo do trabalho. E, em terceiro lugar, um déficit muito grande”, explica José Scheinkman, economista e professor da Universidade de Columbia.

O peso da inflação no bolso das famílias

Pesquisas recentes indicam que a esmagadora maioria da população está alarmada com o preço dos alimentos, enquanto quase um terço enfrenta dificuldades para quitar contas básicas. Em cidades do interior, moradores recorrem a despensas comunitárias.

“Os números simplesmente não estão fechando”, afirma Daisy.

“É que tudo está muito caro agora: aluguel, contas de luz e água, gasolina, até atendimento médico”, diz Amanda.

Redesenho de distritos e a disputa pelo poder

Diante do desgaste econômico, a estratégia de sobrevivência política envolveu o redesenho de mapas eleitorais, prática conhecida como gerrymandering, adotada por estados alinhados a Trump para tentar minimizar perdas na Câmara.

“Só mudando o mapa, você muda o resultado da eleição. Não é o governo federal que desenha os mapas. São governos estaduais. Mas os governos estaduais alinhados com Trump foram muito agressivos no redesenho”, afirma Cesar Zucco, professor de Relações Internacionais da Universidade de Columbia.

Com as alterações implementadas por republicanos em sete estados e a resposta democrata na Califórnia, o número de disputas acirradas diminuiu drasticamente.

“Cada ciclo que muda, a gente tem cada vez menos disputas reais. Cada vez mais, a gente já sabe quem são os vencedores dos distritos antes da eleição. Então, essa é a grande mudança”, afirma Mauricio Moura, economista e professor da Universidade George Washington.

Apesar das manobras cartográficas, analistas apontam que a insatisfação popular com a economia continua sendo o fator mais difícil de contornar nas urnas. “Pela matemática que a gente tem hoje, é altíssima a probabilidade de os democratas ganharem a Câmara”, conclui Mauricio Moura.

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