Encontrar um diferencial em um mercado artístico altamente concorrido exige medidas extremas, e foi exatamente isso que um músico do interior de São Paulo decidiu fazer. Para impulsionar sua trajetória artística, ele abriu mão de confortos cotidianos durante anos para tirar do papel um projeto automotivo totalmente inédito e artesanal.
A jornada da criação à base de sacrifícios
Morador de Cerquilho, Paulo Victor de Morais Mendes, de 39 anos, dedicou quase quatro anos e investiu cerca de R$ 80 mil para montar o próprio veículo inspirando-se em modelos superesportivos. Sem nenhuma ajuda externa, ele executou todas as etapas da fabricação sozinho, o que exigiu o domínio de novas habilidades manuais, como a soldagem e o manuseio de fibra de vidro.
“Esse carro fiz para chamar atenção na música. Como sou cantor, pensei em tentar algo que ninguém tinha feito antes e motivar as pessoas”, conta o artista.
Para viabilizar o projeto, o cantor precisou adotar um estilo de vida extremamente frugal.
“Eu vendi meu carro, fiquei mais de três anos no básico, sem comprar roupa, vivendo o básico para construir esse carro”, conta.
O desafio de aprender do zero
A carroceria do automóvel nasceu a partir de um molde de isopor meticulosamente esculpido antes de receber as camadas de fibra. O processo, segundo o criador, foi marcado por erros e adaptações até que o resultado agradasse.
“A lataria em si, eu fiz de isopor o modelo. Fui trabalhando no isopor usinado, preparei e depois vim com a fibra em cima da modelagem. Errei bastante com peças até acertar a adaptação”, explica.
Sob o capô e a estrutura, o veículo mistura peças reaproveitadas de diferentes modelos famosos: motor e câmbio de um Vectra 1998, faróis de um carro da marca BYD, retrovisores de um Honda Civic e travas de porta retiradas de um Gol.
Funcionando perfeitamente a gasolina, o protótipo já circula pelas ruas e conta com documentação e placa regularizadas. Apesar disso, o idealizador aponta que a empreitada ainda guarda margem para melhorias futuras.
“Quero trocar as suspensão para ficar mais confortável. E futuramente quero fazer um porta-malas nele pra eu pode levar meu som, violão, para os lugares onde vou fazer show”, detalha.
Ceticismo e superação
O caminho até a conclusão do veículo não foi compreendido por todos ao redor. Antes de colher os frutos da repercussão digital, o cantor enfrentou desconfiança e até ameaças de despejo devido à bagunça gerada pelas obras na moradia alugada.
“Muita dedicação. As pessoas ao redor me chamavam de doido, diziam que isso não daria certo. A dona da kitnet queria até me mandar embora”, relembra.
As origens humildes em Paranapanema (SP) moldaram a resiliência do músico, cuja ligação com a arte começou ainda na infância por influência do pai, um entusiasta de festivais musicais com histórico familiar ligado ao circo.
“Vim da roça, de Paranapanema. A vida para mim nunca foi fácil. Foi uma superação mesmo, pois eu não teria condições nenhum de fazer um carro, mais creio que isso estava predestinado”, afirma Paulo.
“Meu pai cantava, participava de festivais, e eu cresci vendo isso. Eu digo que foi a melhor herança que ele poderia me deixar”, analisa.
Novos rumos na música
Hoje em dia, a agenda de apresentações inclui eventos variados como festas, aniversários, casamentos e programações culturais pela região. Com o impacto positivo dos vídeos publicados nas redes sociais, a estratégia de visibilidade começa a dar frutos concretos para a carreira autoral e para a divulgação de faixas como o single “Acredite em Você”.
“Quero divulgar minha música, achar investidores, empresário e valorizar o cachê do show. Quero fazer conteúdos para a internet com o carro e sempre levando a música”, afirma.
Transformar uma aposta ousada em combustível para os palcos consolida uma trajetória marcada pela persistência.
“Está dando certo. Ganhei mais visibilidade na internet. Quero que sirva de exemplo minha história. Usei esse combustível para seguir atrás dos nossos sonhos”, conclui.






