O meio artístico brasileiro amanheceu de luto neste sábado (31) com o falecimento do produtor musical Solano Ribeiro, aos 87 anos. Ele era amplamente reconhecido como um dos grandes arquitetos dos memoráveis festivais de música popular transmitidos pela televisão brasileira na década de 1960.
Velório e despedida Conforme informações divulgadas pela emissora, o produtor estava em seu terceiro tratamento contra o câncer e passava por cuidados paliativos. O corpo será velado neste sábado, entre 15h e 17h, no Cemitério Bosque da Paz, situado em Vargem Grande Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo. A Rádio Cultura Brasil, onde ele apresentava o programa semanal “Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil”, foi a responsável por confirmar o óbito. Em nota oficial, a TV Cultura lamentou a perda e declarou: “O Brasil perde hoje um dos nomes mais importantes da história da MPB”.
Pioneirismo nos festivais televisivos A trajetória de Solano é marcada pela criação do 1º Festival de Música Popular Brasileira, transmitido pela TV Excelsior em 1965. Anos mais tarde, ele também esteve à frente do emblemático Festival da Record de 1967, edição que projetou clássicos absolutos como “Ponteio”, de Edu Lobo e Capinam, “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil, e “Roda Viva”, de Chico Buarque em parceria com o grupo MPB4. Anos depois, refletindo sobre esse período em entrevista à TV Brasil em 2016, ele pontuou: “As músicas com uma mensagem política tinham uma receptividade muito grande. Isso transformou a música popular daquele momento numa válvula de escape para a repressão que acontecia na política, acho que isso deu muita força para o impacto dos festivais”.
Bastidores e literatura musical Além de sua atuação na televisão e no rádio, Solano registrou suas memórias nos bastidores dos eventos na obra autobiográfica “Prepare Seu Coração”, lançada em 2003 e reeditada com ampliações em 2018. Ao relançar o livro, ele destacou em entrevista ao Estadão: “Tudo o que escrevi foi o que vi”. Entre as curiosidades narradas nas páginas, está a vitória do violonista Baden Powell no Festival OTI, em Madri, quando o músico subiu ao palco embriagado para defender a faixa “Diálogo” e surpreendeu a todos com sua performance. Sobre o episódio, ele resumiu na publicação: “Não acreditei no que via”.
Legado na preservação cultural Nas décadas seguintes, o produtor manteve firme seu compromisso com a crítica e a salvaguarda da memória musical do país. No ano de 2005, idealizou e comandou o Festival Cultura – A Nova Música do Brasil na TV Cultura, iniciativa voltada a revelar novos artistas. No período seguinte, estreou o programa radiofônico que comandava até então, atração que recebeu o prêmio da Academia Paulista dos Críticos de Arte (APCA) em 2006 e 2012. Como forma de homenagem póstuma, a edição do programa veiculada neste sábado levou ao ar uma reapresentação gravada em setembro de 2023, na qual ele destacou talentos contemporâneos como Rubel, Flávia Bittencourt, a banda Selvagens à Procura de Lei e o grupo Samba da Chinela Voadora.






