O advogado Willer Tomaz, que é investigado no Supremo Tribunal Federal ao lado do senador Flávio Bolsonaro por suposta lavagem de dinheiro, possui outras cinco propriedades em ilhas de Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, além do imóvel que gerou um embate com o jogador Richarlison.
As aquisições na região Documentos cartorários e registros da Secretaria de Patrimônio da União mostram que quase todos os imóveis foram adquiridos entre 2021 e 2022. A única exceção é uma casa na Ilha do José André, comprada em 2008 por R$ 23,7 milhões por meio da empresa Friponor Brasil Turismo.
As demais propriedades estão concentradas na Ilha Comprida e foram registradas em nome da WT Administração de Imóveis e Bens. Entre elas está o terreno de 2,1 mil m² avaliado em R$ 2,9 milhões que virou alvo de disputa judicial com o atacante Richarlison, além de outras três áreas na mesma ilha com valores patrimoniais que variam de R$ 2,1 milhões a R$ 6 milhões.
Projetos legislativos e o plano para Angra O período de compras coincide com a movimentação política em Brasília envolvendo a região. Em 2021, o senador Flávio Bolsonaro apresentou um projeto de lei para flexibilizar a exploração econômica e permitir a municipalização de unidades de conservação federais e estaduais na Costa Verde.
Na justificativa da proposta, o parlamentar argumentou: “Esse cenário paradisíaco não deixa nada a desejar em relação aos destinos turísticos similares mais procurados do mundo, como por exemplo Tailândia, Filipinas, Cancun, Grécia, Jamaica, Bahamas, Fiji ou República Dominicana”. O texto ainda aguarda análise na Comissão de Meio Ambiente do Senado.
Além disso, Flávio atuou como relator da PEC das Praias no Senado, proposta que visa permitir a privatização de ilhas marítimas pertencentes à União. A iniciativa é alvo de críticas severas de órgãos governamentais; em setembro de 2024, a Secretaria de Patrimônio da União emitiu uma nota técnica afirmando que o texto “favorece amplamente as condições jurídicas para a grilagem de toda costa brasileira em favor da população mais abastada do país”.
O histórico de declarações oficiais Os planos de exploração turística para o litoral fluminense remontam à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em maio de 2019, ele manifestou o desejo de transformar a localidade em um polo internacional de turismo.
“O nosso estado merece ter uma Cancún. E nós poderemos tê-la. E estamos trabalhando para a região de Angra. Depende de um decreto presidencial. Porque a Estação Ecológica de Tamoios está demais. Não preserva absolutamente nada e faz de uma área rica, que pode trazer bilhões de reais, por ano, em turismo, parada por falta de uma visão mais objetiva, mais progressista nessa questão”, declarou Jair à época.
Imbróglio envolvendo o jogador Richarlison A atenção pública sobre o patrimônio de Tomaz aumentou após o atacante do Tottenham publicar um vídeo em outubro acusando o senador Flávio Bolsonaro de interferir na disputa por uma casa na Ilha Comprida. O atleta afirmou que investiu R$ 10 milhões na propriedade por meio da empresa Sport 70 e que se recusou a vender o local ao parlamentar.
Enquanto o pedido de regularização feito pela empresa de Richarlison permaneceu sem andamento na SPU, o processo protocolado por terceiros ligado a Tomaz teve tramitação acelerada em 2022, culminando na transferência do direito de ocupação para a WT Administração. Questionado sobre as acusações, Tomaz declarou que o jogador “pagou a posseiros” quando comprou a casa, “e não à proprietária de direito”, sustentando possuir decisões favoráveis na Justiça e escritura registrada.






