A Justiça Federal da Argentina ordenou que diferentes órgãos da gestão do presidente Javier Milei guardem gravações de segurança que capturaram a passagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) pelo território argentino antes de sua viagem aos Estados Unidos. A informação foi revelada pelo periódico Clarín.
Medida busca reunir evidências A determinação partiu da juíza federal María Eugenia Capuchetti, respondendo a uma solicitação da procuradora Paloma Ochoa. O objetivo é juntar provas para examinar se houve auxílio ilegal da administração de Milei na partida de Flávio do Brasil, que estava proibido de sair do país por ordem judicial.
Alvos da investigação e órgãos envolvidos O jornal Clarín detalhou que o ofício foi enviado para a Direção Nacional de Migrações, a Agência de Arrecadação e Controle Aduaneiro, a Polícia de Segurança Aeroportuária e a Gendarmaria Nacional. Os arquivos solicitados compreendem registros da Ponte Internacional Tancredo Neves, situada na divisa com o Brasil, e do terminal aeroportuário de Puerto Iguazú.
Contexto da viagem e denúncias políticas A magistrada exigiu apenas o armazenamento dos arquivos, sem requerer o envio imediato para os tribunais, além de pedir dados migratórios e informações sobre pedidos de cooperação internacional.
De acordo com a publicação estrangeira, o político ingressou no país vizinho acompanhado da esposa e de duas filhas às 22h50. Menos de uma hora depois, às 23h30, pegou um voo da companhia Baires Fly rumo ao Equador, com destino final nos Estados Unidos.
A investigação começou a partir de representações feitas pelo legislador Gabriel Solano e pelo deputado Esteban Paulón, que exigem apuração sobre uma possível cumplicidade de funcionários do governo argentino na fuga do parlamentar.
Nomes na mira da Justiça Entre os alvos das denúncias estão Javier Milei, o chanceler Pablo Quirno, a ministra da Segurança Alejandra Monteoliva e o assessor presidencial Santiago Caputo, que estava na província de Misiones no momento em que o senador cruzou a região.
O político viajou ao exterior logo após perder a disputa eleitoral para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno, realizado em 25 de outubro. Na ocasião, o senador obteve 48,21% dos votos válidos, enquanto o candidato petista alcançou 51,79%.
Tudo aconteceu desrespeitando uma ordem expressa do ministro Alexandre de impondo a retenção de seus passaportes e vedando sua saída do Brasil. As acusações foram consolidadas em um único processo, e o judiciário argentino ainda analisa se abrirá uma investigação criminal formal sobre o episódio.






