Um grupo de 25 deputados democratas da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, nesta sexta-feira (30.oct.2026), para cobrar esclarecimentos sobre a suposta participação da administração de Donald Trump na saída de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil. A medida ocorre após veículos de imprensa norte-americanos divulgarem que o governo dos EUA teria auxiliado o senador brasileiro a deixar o território nacional, desrespeitando uma ordem do Supremo Tribunal Federal que o proibia de viajar para o exterior.
Detalhes da cobrança no Congresso americano A iniciativa é liderada pelas deputadas Sydney Kamlager-Dove e Dina Titus, contando com a participação de integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara. Os parlamentares buscam saber se o governo estadunidense tinha conhecimento das investigações criminais enfrentadas por Flávio no Brasil e da determinação do STF para a retenção de seus passaportes antes de autorizar sua entrada no país.
“A questão central é simple: o Departamento de Estado, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ou qualquer outra agência do governo americano ajudou o senador Bolsonaro a viajar para os Estados Unidos ou a entrar no país, apesar da suposta restrição judicial brasileira à sua saída?”, questiona o documento oficial. Os legisladores acrescentam que “o povo americano e o Congresso têm um interesse legítimo de fiscalização em compreender se recursos diplomáticos e de imigração dos Estados Unidos foram utilizados para facilitar a viagem de uma figura política estrangeira nessas circunstâncias.”
Contexto político e a eleição presidencial A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu após o pleito presidencial de 25 de outubro de 2026, vencido por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 votos (48,21%) do candidato do PL. A Polícia Federal solicitou a apreensão do passaporte do senador apenas sete minutos após a divulgação do resultado oficial pelo Tribunal Superior Eleitoral, às 21h09. O pedido foi prontamente atendido pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Questionamentos sobre vistos e base legal Além da investigação sobre a logística da viagem — que teria contado com um jato particular providenciado pelo assessor Jason Miller —, os congressistas questionam a legalidade da emissão dos documentos migratórios. Consultas ao sistema da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) revelam que Flávio recebeu autorização para permanecer no país por um ano.
O grupo fixou o dia 13 de novembro de 2026 como prazo limite para que o Departamento de Estado forneça respostas formais e detalhadas sobre todos os pontos levantados na investigação parlamentar.






