O governo da China classificou nesta sexta-feira (30) como “especulações infundadas” as acusações de que teria espionado Jensen Huang, CEO da fabricante estadunidense de chips Nvidia. A resposta oficial ocorre após a publicação de uma reportagem jornalística apontando que os serviços de inteligência dos Estados Unidos concluíram que uma executiva de Singapura repassava dados estratégicos para Pequim.
Disputa tecnológica e mercado de semicondutores O atrito acontece em meio à intensa rivalidade tecnológica entre as duas maiores economias globais. Washington impõe barreiras rígidas à venda de semicondutores avançados para território chinês, essenciais para o avanço de sistemas de inteligência artificial. O crescimento exponencial na demanda por esses insumos colocou a Nvidia no topo do ranking das companhias mais valiosas do planeta.
Investigações e conexões sob suspeita De acordo com as apurações divulgadas, existiam indícios de que a empresa Megaspeed estaria desviando hardwares da Nvidia para o mercado chinês. A executiva Alice Huang, também chamada de Huang Le, mantinha proximidade com o principal executivo da fabricante — vale ressaltar que ambos compartilham o sobrenome, mas não possuem laços de parentesco. O presidente norte-americano, Donald Trump, teria recebido um relatório sobre o caso há cerca de doze meses, optando por não aplicar sanções naquele momento.
Posicionamento oficial da fabricante de chips Procurada para comentar o caso, a Nvidia defendeu sua operação e esclareceu que a Megaspeed atua como uma cliente regional comum no setor de computação em nuvem. Um porta-voz da empresa declarou que “as interações de Jensen com a senhora Huang não são incomuns nem inesperadas” e reforçou que “nossos clientes regionais de serviços em nuvem recebem informações comerciais comuns— não segredos comerciais sensíveis da Nvidia — e absolutamente nenhuma informação relevante para a segurança nacional”. A companhia também garantiu que as suspeitas de contrabando de hardware “foram minuciosamente investigadas e descartadas no ano passado”.
A reação diplomática de Pequim “O relatório em questão é baseado em especulações infundadas e não passa de uma tentativa de difamar a China”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Guo Jiakun, em entrevista coletiva.
Enquanto a polêmica repercute internacionalmente, os canais de atendimento da Megaspeed em Singapura geraram ainda mais dúvidas. Ao tentar contato telefônico com o número registrado nos canais oficiais da companhia, a pessoa que atendeu negou qualquer vínculo com o negócio e alegou se tratar de uma linha residencial particular.






