A rotina de recorrer a analgésicos a cada ciclo menstrual é uma realidade para muitas mulheres, mas quando a medicação perde o efeito, o cenário exige uma avaliação mais profunda sobre a origem do incômodo.
Entendendo a dor persistente
Embora a maioria das cólicas seja provocada por prostaglandinas que estimulam contrações uterinas sem a presença de patologias, a ausência de melhora com o tratamento convencional altera a abordagem médica, transformando a busca por alívio em uma investigação diagnóstica.
Dados de uma revisão publicada no CMAJ indicam que esse desconforto atinge de 50% a 90% das adolescentes. Contudo, quadros que resistem por mais de três meses aos medicamentos de primeira linha devem ser avaliados por um ginecologista, visto que a dor contínua pode estar associada a condições como a endometriose, encontrada em até 70% das jovens submetidas à laparoscopia por falha terapêutica.
Sinais de alerta para a saúde feminina
Reconhecer os limites entre o incômodo comum e um sinal de alerta é fundamental para evitar o diagnóstico tardio, que costuma levar de oito a dez anos devido à naturalização do sofrimento pela sociedade e pela própria medicina.
Entre os principais indícios que não devem ser ignorados estão o agravamento progressivo da dor desde a adolescência, a perda de eficácia dos analgésicos, prejuízos nas atividades diárias, dores fora do período menstrual — como durante relações sexuais ou evacuação —, e o histórico familiar da doença.
A importância do diagnóstico preciso
A investigação adequada envolve anamnese detalhada, exames físicos e procedimentos de imagem avançados, como ressonância magnética da pelve e ultrassom transvaginal com preparo intestinal, direcionando o tratamento adequado, que pode ou não envolver intervenção cirúrgica.
“Cólica que limita a rotina e não responde ao tratamento habitual não deve ser tratada como normal. O remédio alivia o sintoma, mas não diz de onde a dor vem, e é essa resposta que define o tratamento, que pode ser cirúrgico ou não”, explica Tiago Castilho, cirurgião oncológico com atuação em cirurgia ginecológica e cirurgia de endometriose profunda.
Portanto, diante de sintomas incapacitantes, o mais recomendado é buscar orientação médica especializada em vez de apenas tolerar o sofrimento mensal.






