O sol da tarde ilumina o solo avermelhado enquanto o guia Danilo Dezem conduz os visitantes pelos parreirais de Merlot, Cabernet e Taná, em uma paisagem que remete à Europa, mas se localiza em Toledo, no coração do Oeste paranaense.
As raízes de um sonho no sótão
A trajetória da propriedade começou muito antes da primeira garrafa, inspirada pelas lembranças de infância do patriarca Amélio Dezem com seu avô tanoeiro na Itália. O que começou como um desejo de infância transformou-se em realidade em 2004, quando o terreno de soja deu lugar à vinícola.
“A Dezem, apesar de ser uma empresa lucrativa, nunca teve como objetivo o lucro. O objetivo sempre foi reunir a família, reviver os momentos dos italianos, a colheita, a poda, o trabalho conjunto”, conta Danilo.
Mesmo nos momentos finais de vida, Amélio mantinha o hábito de visitar o local. “Meu pai falava que o vinho era o jeito mais bonito de juntar gente. Ele vinha todos os dias, mesmo quando já estava doente, só pra ver como estavam as plantas ou as barricas”, relembra o guia. Na cave subterrânea, um trecho do piso manteve a pintura original feita pelo fundador e pela esposa.
Ciência e arte na produção dos vinhos
Com 3,5 hectares de parreirais em sistema de espaldeira, a produção anual atinge cerca de 35 mil garrafas na propriedade paranaense.
“Produzimos menos, mas com uvas mais doces e alcoólicas. Assim, o vinho atinge 13% a 14% de álcool natural, sem precisar adicionar açúcar de cana”, explica Danilo.
O envelhecimento ocorre em 58 barricas de carvalho francês e americano, cada uma com capacidade para 220 litros. “O francês é mais intenso, o americano é mais tranquilo. É como se um tivesse alma de espresso, e o outro, de sobremesa”, brinca. O guia também detalha a fermentação: “A levedura consome o açúcar e o transforma em álcool. Quanto mais doce for a uva, mais alcoólico será o vinho. Por isso, cada safra é única. A gente nunca faz um vinho igual ao do ano anterior”.
Experiências e enoturismo em Toledo
A visita guiada é encerrada na sala de degustação, onde os visitantes aprendem sobre harmonização de vinhos e participam ativamente da experiência sensorial.
“É como uma dança entre o prato e a taça”, compara Danilo sobre a combinação entre acidez e pratos gordurosos.
Com o crescimento do enoturismo local, o espaço recebe casais e grupos para piqueniques, jantares à luz de velas e eventos particulares. “Tem gente que vem fazer pedido de casamento, ensaio de foto, comemorar aniversário. E é isso que a gente quer: que as pessoas vivam boas memórias aqui”, diz.
Mais de duas décadas após sua inauguração, o empreendimento mantém firme o seu propósito original. “Meu pai construiu a Dezem pra gente se encontrar. E é isso que ela continua sendo: um ponto de encontro”, resume Danilo.






