A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, acusou María Corina Machado, líder da oposição que estava exilada e retornou ao país neste domingo (25), de transformar sua volta em “um espetáculo”.
Contexto político na Venezuela Machado, que havia deixado a Venezuela após vencer o prêmio Nobel da Paz e passar meses escondida em meio à repressão do governo Maduro, chegou de surpresa ao país e seguiu de carro até a capital, Caracas, cumprimentando milhares de apoiadores ao longo do caminho.
“O espetáculo poderia ter sido evitado — os aeroportos estão bem aqui”, criticou em declarações na TV estatal nesta segunda-feira (26).
Mudança na liderança Delcy está no comando do país desde janeiro, depois que o ex-líder deposto, Nicolás Maduro, foi capturado e preso pelo governo Trump. Ela é apoiada por Washington e se reuniu com o presidente dos EUA pela primeira vez no mês passado, em Nova York.
Antes das declarações mais inflamadas na TV, durante uma visita a um hospital militar em Caracas, ela diminuiu o tom. Afirmou que espera que as negociações com a oposição ofereçam espaço para que todas as vozes sejam ouvidas:
“Espero que o diálogo continue a proporcionar um espaço para a participação política e que aqueles que prejudicaram a Venezuela, aqueles que clamaram por sanções e agressão externa, sintam algum remorso e arrependimento. Espero que tanto o diálogo quanto o programa de coexistência democrática e paz possam proporcionar um espaço onde todas as vozes possam ser ouvidas, onde as vozes que buscam o bem do país possam ser ouvidas”.
Posicionamento dos Estados Unidos Após as declarações de Delcy, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, também se pronunciou. Afirmou que o governo americano disse, semanas atrás, às autoridades venezuelanas que a líder da oposição deveria ter permissão para retornar sem perturbações e que nunca desencorajou Machado de retornar a seu país.
Sobre a possibilidade de novas eleições presidenciais na Venezuela – já que Delcy está no cargo apenas como interina -, Rubio falou que é necessário que a infraestrutura eleitoral do país seja substituída para que a pleito seja considerado válido.
“Acho que estamos fazendo progressos reais nesse sentido, mas se alguém tentar sabotar esse processo, estará causando um grande prejuízo à Venezuela”, declarou, sem citar nomes.
Reformas institucionais De acordo com um alto funcionário do Departamento de Estado americano, que falou sob a condição de anonimato à Reuters, os EUA querem que haja um novo Conselho Judiciário Supremo venezuelano até o final do ano, e um novo Conselho Eleitoral logo em seguida.
Rubio também rebateu críticas de Machado ao acordo petrolífero assinado entre os EUA e a Venezuela. Disse que é “um bom negócio, mas Machado tem o direito de criticá-lo”.
A situação política e diplomática na Venezuela continua em desenvolvimento, com forte influência e acompanhamento do governo norte-americano sobre os próximos passos institucionais do país sul-americano.






