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Lula conquista virada histórica e vence Flávio Bolsonaro no 2º turno

Lula avança em 97% das cidades e comparecimento sobe em 87%; veja mapas

Em uma guinada sem precedentes na política nacional, o candidato do PT garantiu sua vitória à presidência no domingo (25) ao superar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O petista registrou melhora em seu saldo de votos em 5.410 dos 5.570 municípios do país, o equivalente a cerca de 97% do total, revertendo o cenário desfavorável da etapa inicial do pleito.

Desempenho oficial do Tribunal Superior Eleitoral

De acordo com os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o resultado final apontou que o candidato vitorioso obteve 51,79% dos votos válidos, totalizando 64.256.232 apoios. O seu principal oponente, representante do PL, alcançou 48,21%, correspondente a 59.826.041 sufrágios. Essa é a primeira ocasião na história democrática brasileira em que um postulante ao cargo máximo do Executivo consegue triunfar na segunda fase após terminar a rodada inaugural na segunda colocação.

Na primeira votação, realizada em 4 de outubro, o cenário era distinto. Flávio Bolsonaro havia terminado a etapa na liderança com 47,03% dos votos válidos, enquanto o petista somava 45,16%, configurando uma distância de aproximadamente 2,2 milhões de votos. No entanto, o panorama se transformou drasticamente na fase decisiva, na qual o representante liberal conseguiu ampliar sua vantagem ou diminuir a desvantagem em apenas 160 cidades.

Geografia da virada e expansão eleitoral

As transformações mais expressivas a favor do petista concentraram-se nas regiões Sul e Sudeste — com destaque para São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul —, além do litoral nordestino, estendendo-se do Rio Grande do Norte até Alagoas. O comportamento de crescimento também se manifestou de maneira nítida no Centro-Oeste e em toda a Região Norte.

Em contrapartida, os 160 municípios onde Flávio Bolsonaro obteve melhor desempenho ficaram restritos a zonas geográficas específicas: o interior baiano, o norte mineiro e porções do sertão pernambucano e piauiense. Nesses locais, o atual presidente já havia acumulado votações expressivas na abertura do processo eleitoral, o que naturalmente reduzia o espaço para novas expansões numéricas.

Crescimento no comparecimento às urnas

O avanço territorial veio acompanhado de uma maior mobilização do eleitorado. O quantitativo de votantes aumentou em 4.858 cidades, representando 87% de todos os municípios analisados, ao passo que houve retração em 705 localidades (13%). Esse incremento ocorreu de forma quase homogênea no Sul, Sudeste, Centro-Oeste e na faixa litorânea do Nordeste, justamente as mesmas zonas onde se registraram as maiores oscilações em prol do candidato petista.

Por outro lado, as baixas no comparecimento concentraram-se na Região Norte — com ênfase para Acre, Amazonas, Roraima e Pará —, além de um corredor que corta o interior de Tocantins e Maranhão. Apesar da diminuição de votantes nesses pontos específicos, o saldo do candidato do PT seguiu apresentando melhora em relação à primeira etapa.

Esse fluxo de recuperação reverte o patamar verificado no dia 4 de outubro, marcado por uma abstenção recorde de mais de 33,4 milhões de cidadãos que deixaram de comparecer, atingindo 21,08% do eleitorado — a maior taxa registrada em uma disputa presidencial desde 1998. O comportamento contrariou a tradição histórica brasileira, na qual o absenteísmo costuma registrar alta entre o primeiro e o segundo turno, impulsionado pela insatisfação de parte da população com os nomes finalistas.

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