O cenário das eleições presidenciais revela um panorama curioso em dois colégios eleitorais importantes do país. O candidato Lula (PT) conseguiu sair vitorioso na disputa pelo Palácio do Planalto em Minas Gerais e no Pará, territórios cujos eleitores optaram por eleger governadores declaradamente aliados de Flávio Bolsonaro (PL) ainda no primeiro turno do pleito.
O contraste em Minas Gerais e no Pará
No estado mineiro, a corrida presidencial foi marcada por uma margem bastante estreita. Lula obteve 50,43% dos votos válidos, superando os 49,57% conquistados por Flávio, o que representou uma diferença de apenas 0,86 ponto percentual. Mesmo com esse resultado favorável ao petista, o governo estadual ficou com Cleitinho Azevedo (Republicanos), que venceu logo na etapa inicial com 55,40% dos votos válidos e declarou apoio público ao senador durante a campanha do segundo turno.
Uma dinâmica semelhante ocorreu no território paraense. Por lá, Lula garantiu 55,02% dos votos válidos, abrindo mais de dez pontos de vantagem sobre Flávio, que registrou 44,98%. Em contrapartida, a chefia do executivo estadual foi definida no primeiro turno com a vitória de Dr. Daniel (Podemos), que alcançou 51,36% dos votos e também esteve ao lado do candidato do PL na corrida presidencial.
Alinhamento total nas bases de Flávio
Em sentido oposto, a base de apoio de Flávio Bolsonaro mostrou forte coesão nos locais onde ele obteve a maioria da preferência do eleitorado. O senador liderou a apuração em 13 estados e no Distrito Federal, englobando todas as unidades da Federação do Sul e do Centro-Oeste, além de importantes praças no Sudeste — como São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo — e estados nortistas como Acre, Rondônia, Roraima e Tocantins.
O levantamento detalhado, estruturado a partir das estatísticas oficiais fornecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que em todos esses 14 locais os governadores vitoriosos marcharam junto com a candidatura do senador. Nenhuma dessas regiões registrou a combinação de vitória de Flávio para a presidência com a eleição de um chefe de executivo estadual simpático ao projeto político do PT.
Neutralidade e redutos petistas
O estudo estatístico também isolou os casos em que os chefes estaduais adotaram postura de neutralidade na corrida presidencial. Foram quatro estados nessa condição que também escolheram o petista: Alagoas, Amapá, Maranhão e Pernambuco. Por outro lado, nos sete estados onde os governadores eleitos apoiaram abertamente a campanha de Lula — Amazonas, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe —, o ex-presidente também confirmou o favoritismo nas urnas.






