O cenário eleitoral brasileiro do segundo turno registrou 311 municípios que mudaram de lado na disputa presidencial, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu reverter derrotas históricas em grandes centros urbanos, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) obteve avanços expressivos em centenas de localidades de menor porte pelo país.
Inversão de votos nas capitais
As únicas capitais do Brasil que registraram uma inversão de resultado em comparação com a eleição de 2022 foram o Rio de Janeiro (RJ) e Macapá (AP). A capital fluminense, que havia dado maioria a Jair Bolsonaro quatro anos antes, passou a favorecer Lula em 2026. O petista recebeu 1.898.391 votos na cidade, ante 1.785.198 de Flávio, alcançando uma vantagem de 113.193 votos. Já em solo amapaense, o atual presidente somou 125.479 sufrágios, contra 120.593 do adversário do PL, resultando em uma diferença de 4.886 votos.
Avanço da oposição no interior
Apesar do ganho nas capitais, o movimento contrário foi muito mais abrangente em termos quantitativos. O levantamento aponta que Flávio Bolsonaro conquistou 280 municípios onde Lula havia vencido em 2022. Em contrapartida, o movimento inverso — de cidades que votaram em Jair Bolsonaro anteriormente e migraram para o petista — ocorreu em apenas 31 localidades.
As mudanças favoráveis ao candidato do PL concentraram-se majoritariamente em municípios de pequeno porte. Das 280 cidades que viraram para a oposição, 245 registraram menos de 10.000 votos válidos no segundo turno. A maior delas foi Teixeira de Freitas (BA), onde Flávio obteve 41.454 votos, superando por uma margem mínima de 93 votos os 41.361 registros do atual mandatário. Balsas (MA) e Tailândia (PA) também integraram o grupo de cidades que trocaram de preferência partidária.
Distribuição geográfica e empate
As viradas políticas se espalharam por 18 unidades da Federação. O Rio Grande do Sul liderou o ranking estadual com 69 municípios mudando de lado, seguido por Minas Gerais com 56, Paraná com 43, São Paulo com 34 e Goiás com 31. Um caso singular aconteceu no município paranaense de Marquinho, onde a votação terminou rigorosamente empatada: os dois concorrentes registraram exatamente 1.530 votos cada, embora a cidade tivesse dado maioria a Lula no pleito anterior.
Crescimento na margem nacional
Mesmo tendo perdido o comando de um número expressivo de municípios no interior, Lula assegurou a reeleição ampliando a sua margem de vitória em âmbito nacional. O chefe do Executivo federal acumulou 64.256.232 votos, o equivalente a 51,79%, ao passo que Flávio Bolsonaro registrou 59.826.041 votos, ou seja, 48,21%. Isso representou uma diferença de 4,4 milhões de sufrágios, ou 3,57 pontos percentuais. Para fins de comparação, na disputa de quatro anos atrás, o petista havia superado Jair Bolsonaro por 2,1 milhões de votos, com uma margem de 1,8 ponto percentual, fazendo com que sua vantagem mais do que dobrasse.






