A equipe jurídica do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) formalizou uma contestação contra as conclusões técnicas da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação (AEED) do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha sustenta que o deputado federal André Janones (Avante-MG) realizou um expurgo em massa de 219 publicações em um grupo de WhatsApp em um intervalo de apenas 18 minutos, durante a madrugada do dia 8 de outubro, para apagar vestígios de conteúdos difamatórios contra a chapa.
Divergência técnica e decisões no TSE
O parecer técnico nº 001/2026 da AEED indicou não ter localizado mensagens desinformativas no canal após analisar materiais publicados entre os dias 2 e 11 de outubro. Em resposta, os representantes de Flávio criticaram o corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, por ter retirado o sigilo da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) sem determinar previamente que a Meta preservasse o histórico da plataforma.
O tribunal esclareceu que o ministro havia solicitado que os arquivos digitais mencionados fossem devidamente juntados ao processo digital. Embora um pen drive tenha sido entregue à Secretaria Judiciária, o TSE ressaltou que a mídia física não eliminava a exigência de organizar os elementos nos autos para assegurar a ampla defesa. A defesa do parlamentar assegura que fez o espelhamento de dados em tempo real e que novos documentos serão entregues aos ministros.
O canal chegou a ser bloqueado por determinação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, no domingo, dia 11. No entanto, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva suspendeu a restrição logo em seguida, alegando falta de elementos suficientes no momento da decisão.
Estratégia no grupo e temas abordados
De acordo com a denúncia, o canal denominado “Exército do Lula”, que concentrava cerca de 3,3 milhões de membros durante a mobilização do segundo turno, adotava práticas planejadas para burlar os filtros da plataforma. Os administradores incentivavam os integrantes a copiar e colar os textos, evitando a ferramenta nativa de encaminhamento para contornar restrições de compartilhamento.
Segundo a manifestação, Janones teria escrito, à 1h10 de 8 de outubro, que não divulgaria “uma única fake news até o final da campanha”. Cerca de 40 minutos depois desse comunicado, teria ocorrido o início da exclusão das 219 postagens.
A equipe do senador aponta que os conteúdos retirados continham links direcionados a redes sociais externas com materiais inverídicos a respeito do corte de aposentadorias e da suspensão de reajustes do programa Bolsa Família. Essas publicações seguiam no ar em outras redes e somavam 3,1 milhões e 920 mil visualizações. Um infográfico apresentado pela campanha detalhou que o vídeo sobre o Bolsa Família acumulou 118 mil curtidas e 23 mil comentários.
Uso de comandos e regras eleitorais
O material protocolado também aponta que o deputado federal utilizava ordens em caixa alta, como “EXPLODAM” e “COMPARTILHEM”, para estimular o repasse de links de outras plataformas. Esse mecanismo garantia que a mensagem de texto dentro do aplicativo não exibisse termos flagrados pelos filtros de segurança.
Enquanto Janones classificou a primeira tentativa de suspensão como um ato de censura, os advogados de Flávio Bolsonaro afirmam que a conduta violou o Plano de Conformidade estabelecido entre o WhatsApp e a Justiça Eleitoral contra o uso indevido de canais de grande escala.






