O local de sepultamento de Evaristo de Moraes, um dos principais nomes pioneiros do Direito do Trabalho e da advocacia criminal no Brasil, enfrenta o risco concreto de desaparecer no Rio de Janeiro, mais de oitenta anos após o seu falecimento.
Situação no Cemitério do Caju
A sepultura está localizada no Cemitério São Francisco Xavier, popularmente conhecido como Cemitério do Caju, situado na zona norte da capital fluminense. Originalmente construído para Elisa Augusta de Moraes, mãe do jurista, o jazigo passou a abrigar o próprio Evaristo após a sua morte, ocorrida em 1939.
Anos mais tarde, em 1997, o espaço também recebeu os restos mortais de Antônio Evaristo de Moraes Filho, filho do advogado e uma das maiores expressões da advocacia criminal na segunda metade do século 20. Foi justamente esse sepultamento mais recente que viabilizou a localização atual da sepultura nos registros, visto que os arquivos mais antigos da administração já não permitiam traçar o histórico do local.
Riscos burocráticos e dívidas
Para evitar a retomada do espaço pela administração, é necessário quitar taxas atrasadas que acumulam cerca de R$ 11 mil, conforme apontado por estudantes que lideram a tentativa de resgate da sepultura. Sem a regularização financeira, existe a ameaça real de perda dos direitos sobre o jazigo e a consequente remoção dos restos mortais.
O trâmite administrativo já se encontra em andamento, embora não haja uma data definitiva estipulada para a retomada oficial. A possibilidade de exumação e transferência traz apreensão quanto à preservação da memória histórica da família, ecoando episódios passados como o sumiço dos restos mortais do ex-jogador Garrincha no mesmo complexo funerário.
Busca por descendentes e legado histórico
Diante do impasse, o grupo de estudantes tenta localizar descendentes vivos de Evaristo de Moraes para impedir a perda do local. O jurista deixou filhos, netos e bisnetos, incluindo a acadêmica Regina Lúcia de Moraes Morel. Contudo, até o momento, as tentativas de contato com familiares e com a Academia Brasileira de Letras não obtiveram sucesso, motivando os estudantes a realizarem limpezas voluntárias no jazigo.
Nascido no Rio de Janeiro em 1871, Evaristo de Moraes marcou a história nacional ao atuar nos tribunais antes mesmo de obter o diploma formal, defendendo pautas sociais e trabalhistas. Em 1905, lançou o livro Apontamentos de Direito Operário, marco na proteção jurídica dos trabalhadores, além de ter atuado na defesa de marinheiros na Revolta da Chibata e participado da fundação da Associação Brasileira de Imprensa.






