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Protesto em Madri reúne milhares em defesa da previdência pública

Milhares de pessoas protestam em Madri em defesa das aposentadorias

Milhares de pessoas tomaram o centro de Madri neste sábado (24) para exigir a proteção das aposentadorias públicas, a apenas um mês das eleições legislativas no país. O ato ocorre em meio a acusações de que a oposição estaria articulando o avanço de uma privatização parcial do modelo previdenciário espanhol.

Trajeto e adesão popular na capital espanhola

A manifestação avançou por um percurso de aproximadamente dois quilômetros sem registros de ocorrências policiais ou conflitos. A caminhada teve início na estação de Atocha, seguiu pela rua Alcalá e passou por pontos turísticos emblemáticos, como o Museu do Prado e a Praça de Cibeles. Cartazes com mensagens como “Aposentadorias garantidas” e “proteger as aposentoadorias” dominaram a paisagem do ato público.

Dados oficiais repassados pela Delegação do Governo em Madri indicam que cerca de 25 mil pessoas compareceram à mobilização deste final de semana.

Preocupação entre os trabalhadores e aposentados

Entre os participantes, o clima era de apreensão quanto ao futuro financeiro da população. O funcionário público Juan Fernández, de 38 anos, relatou que convive diariamente com a “incerteza” sobre o seu próprio benefício futuro e repudiou mudanças que permitam a especulação financeira com o dinheiro dos contribuintes.

A mesma preocupação foi manifestada por cidadãos que já estão na reta final da vida laboral.
“As aposentadorias públicas são inamovíveis”, afirmou Pilar, de 64 anos, que está perto de se aposentar. Ela lamentou que “a tendência seja privatizar tudo”.
Além da pauta previdenciária, Pilar celebrou o engajamento dos mais jovens em protestos recentes ligados ao custo de vida e à moradia, destacando que essa parcela da sociedade tem saído às ruas para defender pilares fundamentais do Estado de bem-estar social, a exemplo da saúde e da educação.

O embate político e o cenário eleitoral

A tensão política aumentou na semana anterior ao pleito antecipado, marcado para 29 de novembro. Na última segunda-feira, o líder da oposição conservadora, Alberto Núñez Feijóo, prometeu que o Partido Popular (PP) garantirá a correção anual dos benefícios conforme a legislação vigente caso chegue ao poder.

A manifestação do líder oposicionista veio como tréplica às acusações do governo encabeçado pelo premiê socialista Pedro Sánchez. O atual Executivo sustenta que a direita pretende alterar as regras de reajuste das pensões, ameaçando a vinculação automática com a inflação — mecanismo implementado em janeiro de 2022. No fim de 2021, o PP havia rejeitado a proposta governista no Parlamento sob o argumento de que a medida geraria um impacto fiscal insustentável para os cofres públicos.

Atualmente, o panorama econômico da seguridade social na Espanha aponta que o pagamento médio mensal aos aposentados atingiu 1.576 euros (cerca de R$ 9 mil) em setembro. O universo de beneficiários no país alcança a marca de 6,8 milhões de cidadãos, conforme dados consolidados pelo Ministério da Seguridade Social.

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