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Mato-grossenses relembram o peso de votar após a ditadura militar

Da censura às urnas: moradores de MT que viveram a ditadura relatam que só conseguiram votar para presidente pela 1ª vez após os 27 anos

Moradores de Mato Grosso que cruzaram a juventude sob o regime autoritário instalado em 1964 relatam os impactos da censura e recordam que só alcançaram o direito de escolher o presidente da República após os 27 anos de idade.

Histórico das eleições e o valor da democracia A retomada do sufrágio direto no Brasil exigiu intensa mobilização popular após mais de duas décadas sem votações para o cargo mais alto do Executivo nacional. Para cidadãos que superaram essa fase, a participação cívica permanece indispensável, mesmo quando atinge o caráter facultativo na terceira idade.

O médico-veterinário Marco Assumpção, a cineasta Maria de Fátima Rodrigues e o jornalista Edson Spenthof compartilham vivências distintas, mas convergem na defesa irrestrita das liberdades constitucionais.

“O ato de votar é o mais importante de todos, é o nosso futuro. Anular o voto é a pior coisa que se fazer. Eu tenho 70 anos e vou votar até quando puder, sem cabresto e pensando numa sociedade melhor”, afirma Marco.

Emancipação feminina e pioneirismo político A trajetória de Maria de Fátima ilustra a lenta quebra de barreiras sociais em um período em que a participação das mulheres na esfera pública era limitada e frequentemente subordinada às decisões dos maridos. Mudada para a região do Araguaia na década de 1970, ela recorda o cenário de forte influência patriarcal.

“No passado, a gente era induzida pelo marido. O marido é quem tinha o voto, o plano de tal, e a gente apenas seguia o que ele falava. A estrutura patriarcal dominou por muito tempo”, analisou.

Mesmo sem experiência político-partidária prévia, ela integrou ações comunitárias e foi lançada como candidata a vereadora em Nova Xavantina em 1981. A autonomia definitiva de posicionamento, no entanto, consolidou-se apenas com a abertura democrática e a promulgação da nova carta magna.

Censura cotidiana e a luta pelas Diretas Já As lembranças do período de exceção também marcam a infância e a juventude de Edson Spenthof na zona rural do sul do país, onde advertências sobre figuras políticas oposicionistas faziam parte do cotidiano escolar. Anos mais tarde, já em terras mato-grossenses, ele acompanhou à distância o impacto do movimento liderado pelo deputado federal Dante de Oliveira.

Embora a emenda constitucional que restabelecia o voto direto tenha sido rejeitada em 1984 por falta de quórum, a pressão social abriu caminho para o pleito histórico de 1989.

“Não há liberdade numa ditadura. Essa gente esquece ou não sabe o que foi a ditadura, em que a simples crítica a um militar no poder poderia render prisão. […] Vivemos a democracia, com seus percalços e defeitos, é claro. Mas este é um regime que precisamos defender diariamente”, conclui.

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