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Lula e Flávio transformam buscador em alvo central de debate político

“Pergunta ao Google”: Lula e Flávio citam buscador 13 vezes

Durante o debate presidencial da TV Globo, realizado nesta 6ª feira (23.out.2026), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) citaram o Google 13 vezes. “Dá um Google”, disse o presidente mais de uma vez ao telespectador.

Estratégia de checagem ao vivo

O petista utilizou a ferramenta digital como um convite direto para que o público avaliasse comparativamente os aportes financeiros direcionados ao setor agropecuário e ao estado do Amazonas entre a sua gestão e a administração de Jair Bolsonaro, além de sugerir a verificação dos dispêndios com o cartão corporativo.

A ferramenta também serviu como argumento retórico para contestar a precisão das declarações do adversário político ao longo do confronto. “Galera, dá um Google aí. Dá um Google no que ele falou que vocês vão perceber que ele é aquele cara que estuda para decorar e não para saber”, declarou. Lula terminou o debate citando o Google 10 vezes.

Reação da oposição

Por sua vez, o parlamentar do PL mencionou o motor de buscas em três ocasiões distintas durante o programa televisivo. Inicialmente, recomendou que o eleitorado verificasse na internet os dados apresentados por seu oponente sobre o setor agrícola e, posteriormente, ironizou a insistência do presidente em delegar respostas à tecnologia.

“Eu confesso que estou com um pouquinho de dificuldade para entender o que ele está falando, mas vamos lá. Ô, Lula, quem é que governa o Brasil? É você ou é o Google? Tudo você pergunta para o Google? Você não sabe responder nada?”, indagou o senador.

Campanha digital e ações judiciais

Incentivar o eleitorado a buscar termos específicos sobre a família Bolsonaro tem sido uma tática recorrente do campo progressista no segundo turno, com forte articulação no canal de WhatsApp coordenado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que também fomenta a criação de memes e o engajamento em redes sociais.

O parlamentar costuma orientar sua base digital a pesquisar expressões específicas para elevar o volume de consultas e alterar as tendências de destaque do algoritmo, visando expor temas delicados do concorrente.

Como desdobramento dessa movimentação, a coligação opositora acionou o Tribunal Superior Eleitoral para contestar o impacto dessas buscas na visibilidade dos resultados. Em sua defesa enviada à corte eleitoral, a empresa de tecnologia declarou que não identificou sinais de tráfego automatizado nem constatou violações de suas políticas que justificassem a aplicação de penalidades.

“Variação acentuada de interesse de pesquisa é fenômeno corriqueiro diante de acontecimento noticioso de grande repercussão e, isoladamente considerada, nada afirma sobre a licitude ou a origem do interesse que a produziu”, afirmou o Google.

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